Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios enfrentados por deficientes visuais em Sorocaba
Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios de mobilidade 👩🦯Calçadas niveladas, pisos táteis contínuos, semáforos...
Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios de mobilidade 👩🦯Calçadas niveladas, pisos táteis contínuos, semáforos com sinalização sonora e terminais de ônibus acessíveis o cenário ideal para uma grande cidade, mas são apenas imagens criadas pela Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais (Asac), com o uso de inteligência artificial (IA), para representar alguns dos recursos que poderiam facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual por Sorocaba (SP). 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp A iniciativa busca dar visibilidade a situações que, muitas vezes, passam despercebidas por pessoas que enxergam, mas representam obstáculos reais para quem tem deficiência visual. O Brasil possui cerca de 500 mil a 580 mil pessoas cegas, segundo dados oficiais do IBGE e de institutos de estatística. Quando se considera a deficiência visual completa e a baixa visão (visão subnormal), o número total ultrapassa de 6,5 milhões a 8 milhões de pessoas no país. Já em Sorocaba, estima-se que haja entre 20 mil e 45 mil pessoas com deficiência visual. Alessandra Alves, técnica em orientação e mobilidade da Asac, destacou ao g1 os principais desafios presentes na cidade, como os relacionados à infraestrutura para pedestres, à conexão entre calçadas e ao transporte público. Entre os problemas encontrados estão calçadas estreitas, quebradas ou desniveladas, além de obstáculos como postes, árvores e lixeiras. “Uma calçada pode até estar adaptada, mas a rota deixa de ser acessível quando há um trecho com piso tátil interrompido ou que termina em frente a paredes e em locais de travessia inadequados”, explica Alessandra. Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios enfrentados por deficientes visuais em Sorocaba Reprodução/Redes Sociais De acordo com a associação, outro problema é a ocupação do piso tátil por ambulantes e estabelecimentos comerciais, que colocam produtos sobre o caminho utilizado como referência por pessoas com deficiência visual. Para a técnica, a acessibilidade não depende apenas da instalação dos equipamentos, mas também da manutenção desses espaços. “Não basta construir uma calçada acessível. É necessário mantê-la livre de obstáculos e garantir que novas intervenções respeitem os padrões de acessibilidade”, diz. LEIA TAMBÉM: 'Correio sentimental' e viagens de 4 meses: o papel das tropas de mulas na comunicação do século XIX no interior de SP São Roque celebra legado de Mário de Andrade com programação gratuita Lutadora que dá aula de defesa pessoal para mulheres vence Sul-Americano de jiu-jítsu: 'Luta não é só aqui' A falta de sinalização sonora em algumas travessias também dificulta o deslocamento, principalmente em locais com grande circulação de veículos. A Asac aponta ainda problemas nos terminais de ônibus, onde, segundo a entidade, a ausência de piso tátil dificulta a orientação e a circulação de pessoas com deficiência visual. 👩🦯Como seria uma cidade mais acessível? Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios enfrentados por deficientes visuais em Sorocaba Reprodução/Redes Sociais Para a associação, uma cidade acessível deve permitir que todas as pessoas exerçam o direito de ir e vir com autonomia e segurança. Entre as soluções apontadas estão: piso tátil contínuo; calçadas niveladas e sem obstáculos; semáforos com sinalização sonora; ônibus com sinalização sonora; terminais acessíveis; sistemas de GPS que funcionem adequadamente; sinalização em Braille. Para retratar esse cenário ideal, a associação utilizou suas redes sociais e imagens produzidas com inteligência artificial para representar visualmente parte dessas mudanças. A proposta é mostrar, de maneira mais concreta, como a infraestrutura poderia ser adaptada para atender às necessidades de pessoas com deficiência visual. Pequenos obstáculos, grandes barreiras Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios enfrentados por deficientes visuais em Sorocaba Reprodução/Arquivo pessoal Segundo Alessandra, o conteúdo também foi criado para apresentar o trabalho realizado pela ASAC e chamar atenção para situações que podem ser ignoradas por quem não enfrenta essas dificuldades diariamente. “Muitas vezes, para as pessoas normovisuais, esses pequenos obstáculos não fazem diferença ou até passam despercebidos, mas, para pessoas com deficiência visual, tornam-se uma grande barreira.” 🔎Normovisuais são pessoas que possuem a visão considerada normal ou padrão, ou seja, que não apresentam nenhum tipo de deficiência visual. Para ajudar os usuários a lidar com essas situações, a associação realiza treinamentos externos de orientação e mobilidade. As atividades buscam ensinar estratégias para que pessoas com deficiência visual consigam realizar seus trajetos com mais segurança e autonomia. Além do Programa de Habilitação e Reabilitação, o local oferece atividades diversificadas, por meio de parcerias e trabalho voluntário, como: padaria artesanal, pintura em madeira, pintura em tela, tai chi chuan, quick massage, natação e atletismo. Associação cria 'cidade acessível' com imagens de IA para apontar desafios enfrentados por deficientes visuais em Sorocaba Reprodução/Arquivo pessoal O que diz a Prefeitura Questionada, a Prefeitura de Sorocaba informou que trabalha na articulação de políticas públicas de acessibilidade e no levantamento de dados para desenvolver ações voltadas às pessoas com deficiência. Em nota, a administração municipal afirmou que existem iniciativas e projetos em andamento, especialmente na área de mobilidade urbana, voltados à melhoria da qualidade da acessibilidade no município. "A Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) é um órgão colegiado municipal (vinculado à Prefeitura), de caráter consultivo e deliberativo. Sua principal função é analisar projetos, elaborar normas e fiscalizar o cumprimento das leis de acessibilidade e do Desenho Universal. Há, por exemplo, o Cittamobi Acessibilidade, que é uma ferramenta dedicada a pessoas com deficiência visual que utilizam o transporte público. Possui suporte para comandos de voz, alertas de proximidade do ônibus e aviso sonoro do ponto de parada", diz a nota. A Prefeitura também citou o Cittamobi Acessibilidade, ferramenta destinada a pessoas com deficiência visual que utilizam o transporte público. O aplicativo oferece comandos de voz, alertas de proximidade do ônibus e aviso sonoro do ponto de parada. A versão acessível do aplicativo já é disponibilizada no sistema de transporte de Sorocaba. "A Semob atua continuamente na implantação, manutenção e aprimoramento de recursos de acessibilidade, incluindo piso tátil, semáforos com sinalização sonora e adequações de travessias, de acordo com as características e necessidades identificadas em cada local", diz o texto. Também são observadas situações pontuais relacionadas à existência de obstáculos, obras, mobiliário urbano, intervenções particulares e outras ocupações que podem comprometer a faixa livre de circulação e a continuidade das rotas acessíveis", completa. Piso tátil será ampliado na região central De acordo com a Prefeitura, há um processo administrativo em andamento para a implantação de piso tátil na região central de Sorocaba, incluindo as vias de acesso ao Terminal Santo Antônio e áreas internas do terminal. A medida, segundo a Administração, considera o fluxo de usuários e a importância do local para o transporte coletivo. Depois dessa etapa, a previsão é ampliar gradativamente as intervenções para o Terminal São Paulo e outras rotas consideradas prioritárias, conforme a disponibilidade orçamentária, o planejamento e as prioridades técnicas. A Prefeitura informou ainda que Sorocaba possui atualmente 25 cruzamentos com botoeiras para acionamento de pedestres. Há previsão de ampliação dos dispositivos, inicialmente em cruzamentos semaforizados que já possuem infraestrutura. Além disso, a Semob deverá realizar estudos para identificar novos pontos, considerando fatores como volume de pedestres, condições de travessia, segurança viária e necessidade de acessibilidade. Ainda de acordo com a nota, a Prefeitura afirmou que obras entregues pela atual Administração desde 2021, como praças, escolas e unidades de saúde, contam com calçadas adequadas às normas de acessibilidade. Em relação às calçadas de imóveis particulares, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan) informou que proprietários e responsáveis técnicos devem seguir a legislação municipal. A fiscalização é realizada conforme o Código de Obras do Município, e os responsáveis por irregularidades estão sujeitos à aplicação de multa. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM