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Audiolivros ganham espaço entre leitores da Bienal do Livro e ajudam brasileiros a encaixar a literatura na rotina

Audiolivros ganham espaço e transformam o hábito de leitura Enquanto milhares de visitantes circulam pelos corredores da 28ª Bienal do Livro de São Paulo em...

Audiolivros ganham espaço entre leitores da Bienal do Livro e ajudam brasileiros a encaixar a literatura na rotina
Audiolivros ganham espaço entre leitores da Bienal do Livro e ajudam brasileiros a encaixar a literatura na rotina (Foto: Reprodução)

Audiolivros ganham espaço e transformam o hábito de leitura Enquanto milhares de visitantes circulam pelos corredores da 28ª Bienal do Livro de São Paulo em busca de lançamentos, autógrafos e livros impressos, um outro formato vem conquistando cada vez mais espaço entre os leitores: o audiolivro. Ouvir uma história no trânsito, durante uma caminhada, na academia ou enquanto faz as tarefas de casa deixou de ser uma exceção para se tornar um hábito para muita gente. E, ao contrário do que muitos imaginam, o crescimento dos audiolivros não significa que o livro físico esteja perdendo espaço. Na prática, os dois formatos passaram a conviver na rotina de muitos leitores. É o caso da estudante Giovanna Lima Silva, que alterna entre os dois formatos de acordo com o momento do dia. "Meu preferido mesmo é ler livro físico. Mas nem sempre é viável levar um calhamaço para o ônibus. Então eu gosto de equilibrar entre os dois. Livro físico eu leio mais quando estou em casa, relaxada. Audiolivro eu posso ouvir em qualquer lugar", conta. A rotina explica a escolha. Giovanna passa cerca de uma hora por dia no transporte público e começou a ouvir audiolivros há quase dois anos, durante os deslocamentos. "Foi mais pela praticidade. No ônibus lotado, às vezes não tem condição de abrir um livro. Com o audiolivro eu continuo consumindo cultura enquanto faço outras coisas." Falta de tempo impulsiona mudança Segundo a 6ª edição da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", 75% dos leitores gostariam de ler mais, mas 46% apontam a falta de tempo como o principal obstáculo. Ao mesmo tempo, cresce o interesse pelos audiolivros. Em 2024, 23% dos brasileiros disseram já ter ouvido um audiobook, contra 20% em 2019. Entre pessoas com ensino superior, esse índice sobe para 44%. Apesar disso, o papel continua sendo o formato preferido. O levantamento mostra que 83% dos leitores tiveram o livro impresso como último formato lido, enquanto 16% leram em formato digital. Entre quem utiliza os dois formatos, 57% preferem o livro físico, 22% preferem o digital e 21% dizem gostar igualmente dos dois. É Tempo de Morangos / Bruna Martiolli Reprodução/TV Globo Para a escritora Bruna Martiolli, autora de É Tempo de Morangos: Reflexõe Sobre Livros, lançado em março deste ano e que ganhou uma versão em áudio um mês depois, os formatos não competem entre si. "Eu acho que ele é infalível. Uma hora vai chegar a todo mundo, porque a vida está extremamente corrida. Em alguns momentos do dia você vai ouvindo um audiobook e vai se interessando mais pela literatura também. Acho que ele é uma porta de entrada para a leitura." Além de escrever, Bruna também narrou a versão em áudio do próprio livro. Ela conta que a experiência foi mais difícil do que imaginava. "As emoções faladas são muito diferentes. Na voz você tem entonação, sentimento. Muitas vezes eu parava a gravação porque pensava: isso precisa ser melhor falado." A gravação levou cerca de 40 horas, distribuídas em seis dias de estúdio. Segundo a autora, narrar a própria obra mudou até a forma como ela enxergava os audiolivros. "Eu tinha preconceito. Achava que era uma forma de driblar a leitura. Mas mudei completamente de ideia. Hoje a neurociência já mostra que ouvir um audiobook também é leitura." Mercado cresce junto com os leitores O avanço do formato também aparece nas pesquisas do setor editorial. Um levantamento da NIQ BookData/Skeelo mostra que 49% dos brasileiros já são considerados leitores digitais e que 25,3% acessaram livros digitais, audiolivros ou PDFs nos últimos 12 meses. Fone de ouvido Altieres Rohr/Especial para o G1 Entre os usuários de audiolivros, 45% afirmam que passaram a ler muito mais depois de adotar o formato. A pesquisa estima que cerca de 18 milhões de brasileiros aumentaram significativamente a leitura após incorporar livros digitais à rotina. Os principais motivos são a possibilidade de realizar outras atividades ao mesmo tempo (45,5%), a facilidade de acesso (45%), a praticidade de carregar vários livros no celular (36%) e a maior imersão proporcionada pela narração (35,5%). Para Gustavo Santos Oliveira, diretor de produtos da Skeelo, o formato também atrai pessoas que antes tinham dificuldade para manter o hábito da leitura. "O audiobook vem trazendo um engajamento muito maior, inclusive de novos leitores. Tem pessoas que nunca se imaginaram lendo ou tinham dificuldade de concentração. O audiobook acaba sendo uma porta de entrada." Segundo ele, o celular teve papel fundamental nessa transformação: "Hoje você consegue ouvir um livro em qualquer lugar. O que percebemos é que muitas pessoas escutam durante o deslocamento e deixam o ebook para quando chegam em casa." Audiolivros também chegam aos quadrinhos Os audiolivros também estão abrindo espaço para formatos que, à primeira vista, parecem depender das ilustrações. É o caso da série As Aventuras de Mike, criada por Gabriel Dearo e Manu Digilio, que também ganhou versões narradas pelos próprios autores. As Aventuras de Mike Reprodução/TV Globo Acostumados a dar voz aos personagens nos vídeos publicados na internet, eles transformaram a experiência de ouvir a história em algo próximo de uma dramatização: "Parece um pequeno filme. As cenas ficam divertidas e cada personagem que ganha uma voz", diz Gabriel. Para Manu, o formato amplia as possibilidades de leitura justamente para quem tem pouco tempo no dia a dia. "Às vezes você não tem tempo de parar para ler, mas consegue aprender ou se divertir ouvindo. É uma experiência diferente de ler, mas muito prática", afirma. Os dois contam que a familiaridade com interpretação e dublagem tornou o processo de gravação mais simples. Segundo eles, foi possível gravar dois audiolivros em uma única tarde. E se os quadrinhos já encontraram espaço no áudio, as editoras também apostam que esse formato pode conquistar novos leitores desde a infância. Na Bienal, uma das novidades da Editora Melhoramentos é o lançamento de cerca de 25 obras de Ziraldo em audiolivro, incluindo O Menino Maluquinho. Para a gerente de negócios da editora, Joyce Castilho, a ideia é ampliar o acesso ao catálogo e aproximar novos públicos da literatura. "A gente fala cada vez mais de conteúdo, não apenas de livro físico. É uma forma de aproximar a literatura das novas gerações, em outros formatos e outras possibilidades." Ela acredita que os audiolivros ajudam a democratizar o acesso às obras: "É uma tendência que só cresce. É uma forma de levar esse catálogo para mais pessoas."

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