'Braço financeiro' do esquema de fraude na licitação do lixo em Bauru é preso na 3ª fase da Operação Cavalo de Troia
Gaeco deflagra 3ª fase da Operação Cavalo de Troia e cumpre mandado em São Paulo A terceira fase da Operação Cavalo de Troia prendeu, nesta sexta-feira (2...
Gaeco deflagra 3ª fase da Operação Cavalo de Troia e cumpre mandado em São Paulo A terceira fase da Operação Cavalo de Troia prendeu, nesta sexta-feira (23), o homem apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como o "braço financeiro" do esquema que fraudou a licitação bilionária da gestão de resíduos sólidos em Bauru (SP). O alvo foi localizado em São Paulo (SP), onde um carro e duas motos foram apreendidos. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Jonathan Moga Pinto é preso na terceira fase da Operação Cavalo de Troia deflagrado pelo Gaeco TV TEM/Reprodução O investigado foi identificado como Jonathan Moga Pinto, diretor da empresa Core Intermediações e Assessoria LTDA. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na sede da firma, apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como intermediária do pagamento de vantagens indevidas na concessão do lixo no município. A investigação sobre a empresa começou após o cumprimento de mandados na segunda fase da operação, realizada na semana passada, que culminou na prisão do ex-secretário de Governo e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini. Na ocasião, os investigadores apreenderam uma nota fiscal de R$ 750 mil emitida para a Core Intermediações, citada em mensagens interceptadas entre os suspeitos. O MP apontou que haveria uma remuneração recorrente a Renato. TV TEM/Reprodução LEIA MAIS Saiba quem é o ex-secretário e marido da prefeita de Bauru preso na Operação Cavalo de Troia MP aponta que ex-secretário e marido de Suéllen Rosim preso atuava como 'figura política' Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru é levado durante operação contra fraudes em licitação Gaeco deflagra 3ª fase da Operação Cavalo de Troia uma semana após prisão do ex-secretário e marido da prefeita de Bauru Empresa de fachada para repasses de propina A partir da localização do documento fiscal, o Ministério Público aprofundou as diligências sobre a empresa para identificar a origem e o destino do dinheiro. “Essa frente investigativa foi aprofundada após a apreensão, na fase anterior da Operação Cavalo de Troia, de uma nota fiscal emitida pela empresa que estaria intermediando as propinas. As diligências realizadas posteriormente identificaram outros pagamentos expressivos em favor da mesma empresa”, informou o MPSP em nota. Gaeco deflagra 3ª fase da Operação Cavalo de Troia uma semana após prisão de Renato Purini De acordo com o Ministério Público, a Core foi criada em agosto de 2025 por Kauê Tadeu Daher Crudeli com capital reduzido e sem nenhum funcionário registrado. Inicialmente cadastrada para consultoria em gestão empresarial, a firma posteriormente adicionou serviços de seguros, previdência e saúde. A promotoria apontou ainda que a empresa e seu fundador mantinham vínculos diretos com o advogado Marcos Libanore Caldeira, apontado como intermediário dos repasses feitos pela concessionária Estre Ambiental a Renato Purini. “A constituição recente da empresa, o reduzido capital social, a ausência de funcionários e a falta de correspondência aparente entre as atividades dos responsáveis e o serviço descrito no documento fiscal são elementos suspeitos que reforçam a incompatibilidade entre o serviço contratado e a empresa”, justificou o órgão. Gaeco realiza operação para cumprir mandados de busca e apreensão em secretarias de Bauru Luís Negrelli Segundo as investigações, Jonathan Moga Pinto assumiu a direção da empresa em dezembro de 2025, período que coincide com reuniões estratégicas entre os envolvidos no esquema. Documentos mostram que ele assinou como titular da firma em 19 de dezembro, mesma data em que a Estre Ambiental efetuou repasses de R$ 750 mil e R$ 225 mil para a Core. Os valores suspeitos identificados pela investigação superam R$ 4 milhões, por meio de contratos e notas fiscais cuja prestação de serviço jamais foi comprovada. Para o MP, a estrutura empresarial foi montada para a "simulação de contratações e emissão de notas fiscais representativas de serviços não prestados". A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros no valor de R$ 20 milhões dos quatro investigados: Renato Purini, Marcos Libanore Caldeira, Jonathan Moga Pinto e Kauê Tadeu Daher Crudeli. As ações da operação contaram com o apoio da Polícia Militar. Cavalo de Troia A apuração aponta que os agentes públicos e representantes de empresas privadas teriam atuado em conjunto para direcionar uma licitação estimada em mais de R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos. A primeira fase da operação foi realizada em 9 de setembro de 2026. Em 16 de outubro, uma nova etapa levou à prisão do então secretário municipal de Governo, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD). MP indica troca de celular e conduta suspeita de ex-secretário preso em Bauru O Ministério Público apresentou denúncia contra seis investigados na primeira etapa, que se tornaram réus no processo, e a investigação avançou com a análise de materiais apreendidos, mensagens e indícios da participação de outros agentes públicos e particulares. Início das investigações As apurações tiveram origem em suspeitas relacionadas a ameaças contra catadores de materiais recicláveis em Bauru. O Ministério Público investigava possíveis irregularidades envolvendo a Associação dos Catadores de Reciclagem de Bauru (Ascam), que mantinha contratos com a prefeitura para serviços relacionados à coleta seletiva. Segundo as investigações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário e marido da então presidente da associação, Gisele Moretti, teria utilizado sua influência para intimidar trabalhadores. A análise de conversas e ligações do casal levou os investigadores a identificar indícios de outras irregularidades, incluindo possíveis pedidos de propina e interferências na futura concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos. As apurações deram origem a duas frentes de investigação: a Operação Mobius, relacionada a possíveis irregularidades em contratos de coleta seletiva, e a Operação Cavalo de Troia, voltada à suspeita de direcionamento da concessão do lixo. O nome Cavalo de Troia faz referência à principal suspeita investigada: a possível inserção de pessoas com vínculos com a empresa Estre Ambiental em posições estratégicas da administração municipal para influenciar decisões relacionadas à contratação pública. Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam) em Bauru (SP) Divulgação Investigações O foco principal é a suspeita de que um grupo formado por agentes públicos, executivos e funcionários de empresas privadas, consultores e intermediários tenha atuado para favorecer a empresa na licitação da concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos. O projeto previa um contrato de 30 anos, com valor estimado em mais de R$ 5,2 bilhões, considerado o maior contrato público projetado na história de Bauru. De acordo com o Ministério Público, o suposto esquema não teria começado com a publicação do edital. A investigação aponta que as irregularidades teriam sido articuladas ainda na fase de preparação do projeto, com possíveis interferências nos estudos técnicos, na modelagem econômica, nos critérios de habilitação e julgamento e na elaboração de documentos administrativos. Os investigadores também apuram suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas, compartilhamento reservado de informações, pressão sobre servidores públicos e tentativas de interferir na atuação de órgãos de controle. A denúncia apresentada pelo MP atribui aos seis já denunciados crimes como organização criminosa, contratação direta ilegal e fraude ao caráter competitivo de licitação. Também descreve episódios específicos de corrupção ativa e passiva envolvendo parte dos acusados. O envolvimento de outras pessoas ainda é investigado. Principais envolvidos Gaeco aponta relação entre ex-secretária Cilene Bordezan e CEO Hamilton Libório Agle Reprodução Cilene Chabuh Bordezan Ex-secretária municipal de Meio Ambiente de Bauru, Cilene é uma das principais investigadas. Segundo o Ministério Público, ela teria atuado na estruturação da concessão dentro da prefeitura em alinhamento com interesses da empresa Estre Ambiental. A investigação aponta que ela mantinha contato frequente com Hamilton Libório Agle, executivo da empresa, e que os dois teriam discutido aspectos da concessão antes da publicação do edital. Conversas extraídas de celulares e outros elementos reunidos pelos investigadores são apontados pelo MP como indícios de que Cilene teria participado de articulações relacionadas à modelagem do projeto e à condução de procedimentos administrativos. Ela foi presa na primeira fase da operação e exonerada do cargo. Hamilton Libório Agle Executivo da Estre Ambiental, Hamilton é apontado pelo Ministério Público como um dos articuladores do suposto esquema. Segundo a investigação, ele teria atuado para influenciar a preparação da concessão e obter vantagens para a empresa, inclusive por meio de contatos com agentes públicos e da discussão de aspectos técnicos e econômicos do projeto. Mensagens e outros elementos apreendidos são citados pelo MP como indícios de alinhamento entre ele e a então secretária de Meio Ambiente. Hamilton está preso desde o início da ação em setembro. Renato Purini Marido da prefeita de Bauru e secretário, Renato Purini foi preso durante operação do Gaeco TV TEM Marido da prefeita Suéllen Rosim e então secretário municipal de Governo, Renato Purini foi preso em 16 de outubro, durante a segunda fase da Operação Cavalo de Troia. A nova etapa foi realizada após a análise de materiais apreendidos anteriormente, que, segundo o Ministério Público, revelou indícios da participação de outros agentes públicos e particulares nas práticas investigadas. De acordo com o MP, Purini teria atuado como uma figura política do grupo investigado, com participação em articulações relacionadas à concessão. A investigação também apura possíveis repasses ilícitos a agentes públicos e vereadores. A Justiça negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa e manteve a prisão preventiva do ex-secretário. Após a prisão, Suéllen Rosim exonerou o marido do cargo. A prefeita não é apontada como alvo da operação criminal nas informações divulgadas sobre essa fase. Ex-secretário Renato Purini é preso em Bauru por suspeita de fraude na concessão do lixo Outros investigados Também estão entre os denunciados pelo Ministério Público: Vitor João de Freitas Costa: ex-secretário municipal dos Negócios Jurídicos; Sara Moura de Jesus: ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente; Talita de Andrade Soares Chieregatti: funcionária da Estre Ambiental; Mário Luiz Silvério: coordenador técnico ligado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Justiça torna réus os seis investigados na Operação Cavalo de Troia em Bauru Talita de Andrade Soares Chieregatti foi transferida para prisão domiciliar após pedido da defesa aceito pela Justiça no dia 8 de outubro e Mario Luiz Silvério é considerado foragido. Os demais seguem presos. A primeira fase também atingiu Gisele Moretti, então presidente da Ascam, e Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário e marido dela, no contexto das investigações relacionadas à coleta seletiva. Os dois foram detidos temporariamente na deflagração das ações e liberados após o fim do prazo da prisão temporária para cumprir medidas cautelares. As responsabilidades individuais de cada um ainda precisam ser estabelecidas pela Justiça. O que foi descoberto até o momento Renato Purini chega à Central de Polícia Judiciária (CPJ) após operação do Gaeco, nesta sexta-feira (16), em Bauru (SP) Luís Negrelli/TV TEM Suspeita de direcionamento de uma concessão bilionária: Segundo o Ministério Público, o grupo teria atuado para criar condições que favorecessem uma empresa na disputa pela concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos. A investigação aponta que a possível fraude teria envolvido diferentes etapas, desde a elaboração dos estudos técnicos até a definição de critérios e exigências do edital. O objetivo, segundo a acusação, seria restringir a concorrência e aumentar as chances de vitória da empresa favorecida. Relação entre a ex-secretária e executivo: Mensagens encontradas pelos investigadores indicariam uma relação próxima entre Cilene Bordezan e Hamilton Agle, além de conversas sobre o andamento da concessão. Para o Ministério Público, os diálogos são indícios de que interesses privados teriam influenciado decisões e procedimentos que deveriam ser conduzidos pela administração pública. Possível atuação de um grupo organizado: A denúncia apresentada pelo MP descreve uma estrutura com divisão de tarefas entre agentes públicos e particulares. Segundo a acusação, os envolvidos teriam atuado de maneira coordenada para influenciar a preparação da concessão, compartilhar informações reservadas e interferir em procedimentos administrativos. O Ministério Público também aponta suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas e tentativas de contornar mecanismos de fiscalização. Dinheiro apreendido e análise de documentos: Na primeira fase, os investigadores apreenderam R$ 240 mil em dinheiro na residência do então secretário municipal dos Negócios Jurídicos, Vitor João de Freitas Costa. O valor foi citado na investigação no contexto das suspeitas de vantagens econômicas indevidas. Além do dinheiro, celulares, documentos e outros materiais apreendidos passaram a integrar as apurações. A análise desse conteúdo contribuiu para o avanço do caso e para a realização da segunda fase da operação, em outubro. Denúncia contra seis investigados: Em setembro, o Ministério Público apresentou à Justiça uma denúncia criminal contra seis pessoas investigadas na primeira fase. O documento, com 317 páginas, descreve a suposta atuação de uma organização criminosa e atribui aos denunciados crimes relacionados à fraude em contratação pública e à corrupção. O recebimento da denúncia pela Justiça e o andamento do processo são etapas distintas da investigação policial e da acusação apresentada pelo Ministério Público. Gaeco aponta que ex-secretária de Bauru articulou concessão do lixo em grupo do WhatsApp antes de assumir cargo TV TEM/Reprodução Licitação do lixo A concessão, que previa a gestão dos resíduos sólidos de Bauru por 30 anos, foi estimada em mais de R$ 5,2 bilhões. O procedimento foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), após questionamentos relacionados ao edital. A suspensão impediu o avanço da concorrência nos moldes inicialmente previstos, mas não encerrou as investigações criminais. O Ministério Público apura justamente se o processo foi estruturado para favorecer uma empresa e se houve interferência indevida na preparação do projeto e na condução dos procedimentos administrativos. O que dizem os envolvidos? Em manifestação após a prisão do então CEO da empresa, a Estre Ambiental informou que está colaborando integralmente com as investigações, prestando todos os esclarecimentos, e confirmou que não vai participar da licitação do lixo em Bauru. A empresa afirmou ainda que está adotando as providências necessárias para se desvincular do processo. Renato Purini prestou depoimento na quinta-feira (22) ao Ministério Público após ter sido transferido do CDP de Bauru para Penitenciária de Potim. O ex-secretário e marido da prefeita optou por permanecer em silêncio durante depoimento. Purini foi interrogado por videoconferência diretamente da penitenciária, que fica no Vale do Paraíba, onde está preso de forma preventiva. (Veja no vídeo abaixo). Renato Purini se mantém em silêncio em depoimento ao MP Já a prefeitura de Bauru, na nota divulgada após a segunda fase da operação, que prendeu o então secretário de governo Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim, disse que "desde o início das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo documentos, informações e os esclarecimentos solicitados, e seguirá contribuindo com tudo o que for necessário para o avanço das apurações." A prefeita não é alvo da operação do Gaeco até o momento, mas é investigada em uma Comissão Processante aberta na Câmara dos Vereadores que apura negligência dela na elaboração do edital da licitação do lixo. Suéllen Rosim foi ouvida na CP no dia 16 de outubro, horas depois da prisão do marido. Durante o depoimento, Suéllen afirmou que o marido não participava das decisões sobre o edital do lixo, negou ter recebido vantagens indevidas e disse desconhecer encontros entre ele e o executivo da Estre Ambiental, empresa apontada como possível beneficiária do direcionamento da licitação. Em nota, a prefeita informou que adotou todas as medidas administrativas necessárias, pautando suas decisões pela responsabilidade, transparência e imparcialidade. Ela afirmou ainda que confia no esclarecimento dos fatos em momento oportuno e que seguirá cumprindo suas funções à frente do município. O g1 não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados presos na operação. O ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira (16) durante operação deflagrada pelo Gaeco Redes Sociais/Reprodução Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília. VÍDEOS: assista às reportagens da região