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De olho no Paulistão 2027, Juventus acelera reforma de estádio tombado na Mooca antes mesmo de ter alvará

Alambrados e bancos de reservas são demolidos no icônico estádio do Juventus em SP Iniciadas em maio pelo Clube Atlético Juventus, as obras para reformar o ...

De olho no Paulistão 2027, Juventus acelera reforma de estádio tombado na Mooca antes mesmo de ter alvará
De olho no Paulistão 2027, Juventus acelera reforma de estádio tombado na Mooca antes mesmo de ter alvará (Foto: Reprodução)

Alambrados e bancos de reservas são demolidos no icônico estádio do Juventus em SP Iniciadas em maio pelo Clube Atlético Juventus, as obras para reformar o icônico estádio da Rua Javari, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, ainda não foram devidamente autorizadas pela Prefeitura e pelo Conpresp (conselho municipal de defesa do patrimônio da cidade). Por se tratar de um conjunto tombado por sua arquitetura e valor histórico, o aval do órgão é obrigatório antes de qualquer intervenção. De acordo com moradores e comerciantes ouvidos pelo g1 no entorno do estádio, as obras começaram poucos dias depois de o Juventus vencer a Ferroviária na final da série A2 do Campeonato Paulista, em 13 de maio, garantindo o retorno à elite do futebol estadual após 19 anos. Desde então, a movimentação de operários e o barulho de construção se tornaram constantes. No final do mês passado, um vizinho gravou o momento em que o alambrado e bancos de reservas em concreto eram demolidos por uma máquina (veja abaixo). Uma arquibancada lateral e um ginásio de futsal próximo à entrada da Rua Javari também foram derrubados completamente. Estádio Conde Rodolfo Crespi, sede do Juventus da Mooca, antes do início da reforma. Ginásio à direita na imagem já foi demolido. Clube Atlético Juventus/Divulgação De acordo com a prefeitura, o pedido de restauro das edificações tombadas, de demolição de construções anexas não protegidas e de novas intervenções no estádio do Juventus ainda está em análise técnica pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Só depois de concluída a avaliação é que o Conpresp poderá autorizar ou não as obras. Um pedido de alvará para reformar o imóvel também está sendo analisado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. "A avaliação em curso considera se o projeto atende às exigências de restauro, conservação e requalificação do imóvel tombado, bem como a viabilidade de execução das intervenções em parceria com a SAF-Juventus", diz nota enviada ao g1 pela Secretaria Municipal de Cultura. Questionada sobre uma eventual punição ao clube pelo início das obras antes da manifestação sobre a autorização, a gestão municipal não respondeu. Procurada, a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) que dirige o Juventus não quis detalhar o projeto nem a dimensão atual das obras. Na última semana, porém, a loja oficial do time começou a vender nas redes sociais cadeiras originais numeradas e pedaços do alambrado. "Eternize um pedaço da Javari", diz o anúncio. Um dos principais objetivos da reforma é ampliar as arquibancadas para que o estádio possa receber até 15 mil torcedores, triplicando a capacidade atual. Com isso, o time vai atender o parâmetro exigido pela Federação Paulista de Futebol para receber em casa partidas da série A1 do Campeonato Paulista no ano que vem. A SAF foi questionada, mas não quis se manifestar sobre possíveis irregularidades no início antecipado das obras. SAF-Juventus começou a vender cadeiras originais e pedaços do alambrado da Rua Javari Reprodução/Instagram Estádio é patrimônio de São Paulo Inaugurado 1941, o Estádio Conde Rodolfo Crespi teve suas características arquitetônicas reconhecidas como patrimônio da cidade de São Paulo em 2016. Anos depois, uma resolução do Conpresp definiu que os muros, a entrada principal e as bilheterias da Rua Javari devem ser preservadas, assim como as arquibancadas, as gerais (setor mais baixo e próximo do alambrado) e o campo de futebol, entre outras áreas. O conselho também estabeleceu que construções erguidas no terreno depois do projeto original podem sofrer alterações e até serem demolidas, mas que é preciso haver "apreciação caso a caso". Em março, a SAF-Juventus enviou à prefeitura um projeto de restauro e reforma do complexo esportivo. Um relatório fotográfico indica uma série de danos e degradações, como rachaduras e infiltrações, que comprometem a estrutura do estádio. O documento também destaca a descaracterização arquitetônica sofrida ao longo dos anos com a construção de "edificações espúrias" que prejudicam a leitura visual do bem tombado – entre elas está o ginásio que foi demolido em maio. Projeto prevê a construção de novo edifício no lugar de ginásio demolido na Rua Javari Reprodução Para o arquiteto e urbanista Silvio Oksman, especialista em preservação de patrimônio, a reforma começou em maio de forma irregular. "Se ainda está 'em aprovação', não pode acontecer nada por lá", afirma A restrição, segundo o especialista, é geral até a decisão do Conpresp: "por mais que a resolução diga aquilo que deve ser preservado, o tombamento é feito no lote. Em princípio, tudo o que acontece lá dentro deveria passar pelo conselho", afirma o sócio do escritório Metrópole Arquitetos. Por outro lado, ele avalia que o Conpresp foi vago ao definir somente como "apreciação caso a caso" o rito para autorizar intervenções em áreas não tombadas do estádio. Para ele, o documento deveria definir mais claramente a obrigatoriedade da aprovação pelo conselho nesses casos. Estádio do Juventus na Mooca é tombado e estrutura deve ser preservada Recurso para restauro foi desviado A apresentação do projeto de restauro do estádio Conde Rodolfo Crespi marca uma virada de página para o Juventus, que, no ano passado, foi multado pela prefeitura e teve ex-dirigentes investigados pela polícia por suspeita de desvio do dinheiro que deveria custear obras de conservação e restauro do estádio. Em 2022, o clube declarou que não tinha capacidade financeira para fazer a reforma e obteve na Prefeitura de São Paulo uma autorização para vender o "potencial construtivo" não utilizado no imóvel, que tem limitações à ampliação de sua área construída por causa do tombamento. Com a operação, o Juventus arrecadou cerca de R$ 2,3 milhões que deveriam ser aplicados na conservação do patrimônio tombado, conforme termo de compromisso assinado com a gestão municipal. 🔎O Plano Diretor de São Paulo de 2014 estabelece que empreendedores precisam pagar à prefeitura uma taxa chamada "outorga onerosa" para erguer prédios mais altos. A Transferência do Direito de Construir (TDC) permite que ele compre o "potencial construtivo" adicional de proprietários de imóveis tombados, geralmente por um preço menor, em vez de pagar a taxa diretamente aos cofres públicos. Em tese, o dinheiro pago nessa transação deve ser destinado à conservação do patrimônio. Passados quase três anos, porém, o clube não havia sequer apresentado o projeto para restauração do estádio. Em 2025, a inadimplência gerou uma multa contratual calculada em R$ 2,9 milhões pela prefeitura, além da devolução integral do valor arrecadado para o Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural (Funcap). Fachada do estádio do Clube Juventus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Estádio mítico da rua Javari. Divulgação/Juventus Durante o processo de transição para a SAF, a nova diretoria encontrou indícios de desvio de finalidade dos recursos, que teriam sido usados para quitar empréstimos pessoais de ex-dirigentes. O caso se tornou alvo de uma sindicância interna e de um inquérito policial para investigar os crimes de apropriação indébita majorada, estelionato e associação criminosa envolvendo quatro ex-gestores do clube. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), atualmente o caso é investigado como lavagem de dinheiro pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania. "A investigação identificou empresas suspeitas de custear repasses e diligências prosseguem para esclarecer a destinação final de tais recursos", diz nota enviada pela pasta. Diante das evidências de que a instituição foi vítima de sua própria administração, o Conpresp decidiu suspender a multa contra o Juventus enquanto analisa o projeto apresentado em março. Uma decisão definitiva sobre a punição só vai ser tomada após conclusão de análise técnica.

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