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Delegada que já visitou 93 países usa experiência para orientar mulheres sobre segurança em viagens

Delegada dá dicas de segurança para mulheres viajantes A delegada de polícia Martha Vergine, titular da 5ª Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista...

Delegada que já visitou 93 países usa experiência para orientar mulheres sobre segurança em viagens
Delegada que já visitou 93 países usa experiência para orientar mulheres sobre segurança em viagens (Foto: Reprodução)

Delegada dá dicas de segurança para mulheres viajantes A delegada de polícia Martha Vergine, titular da 5ª Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista, no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, soma mais de duas décadas de atuação na segurança pública. Ela também atua como docente universitária e na formação de profissionais da área. Além do trabalho policial e acadêmico, Martha compartilha nas redes sociais conteúdos sobre segurança, com foco em mulheres que desejam viajar sozinhas ou com mais autonomia. Com experiência de quem já visitou 93 países e deu três voltas ao mundo, a delegada utiliza suas vivências pessoais e profissionais para orientar as seguidoras. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. "Meu foco é mostrar como não se tornar alvo. Quanto mais pessoas aprendem esse conteúdo, menos vítimas eu acredito que terei na delegacia", afirmou. Ao g1, Martha falou sobre os desafios de atuar em um ambiente majoritariamente masculino, a rotina intensa entre delegacia e docência, além da importância da informação na prevenção da violência contra mulheres com os conteúdos que produz e chama de 'inteligência urbana'. Delegada Martha Vergine tem mais de vinte anos de carreira e ensina sobre segurança feminina nas redes sociais. Arquivo Pessoal Confira a entrevista completa: Como é estar há mais de 20 anos atuando como delegada em um ambiente historicamente marcado pela predominância masculina? Não é só historicamente masculino, ainda é atualmente. Hoje acredito que as mulheres representam algo em torno de 25% da instituição, antes era ainda menos. Durante muito tempo houve uma predominância masculina, mas hoje cada vez mais mulheres ocupam espaços nas instituições de segurança pública e também posições de liderança. Ainda não é o cenário ideal, mas nesses mais de 20 anos eu vejo avanços claros. Na prática, as mulheres demonstram competência, preparo técnico e capacidade de decisão mesmo em ambientes de alta pressão. Algumas características nossas são muito importantes para o trabalho policial, como paciência, sensibilidade no atendimento às vítimas e perspicácia em interrogatórios. Você é professora universitária e também atua na preparação de profissionais da segurança pública. Como conciliar tantas atividades? Eu preparei alunos para concursos durante 12 anos. Hoje continuo atuando na docência, tanto na universidade quanto na formação de profissionais da segurança pública. Conciliar tudo exige priorização. Eu amo o meu trabalho na delegacia e tenho muito orgulho da equipe que construí. Ao mesmo tempo, dar aula é extremamente gratificante. A delegacia me mantém conectada com os problemas da área de competência que é o Porto de Santos. Já a docência permite transformar essa experiência prática em conhecimento para as novas gerações, estimulando o pensamento crítico e a responsabilidade institucional. Diante de tantas demandas, na delegacia e na docência, como é a sua rotina? É uma rotina intensa. Acordo cedo e durmo relativamente tarde. Divido meu dia em três períodos: antes de sair de casa já resolvo algumas demandas, depois passo o dia na delegacia e à noite me dedico às aulas e ao atendimento de alunos. Também cuido do corpo. Faço Krav Maga, corrida e musculação. É preciso ter um corpo forte para sustentar uma rotina tão intensa. Além disso, consigo ter tantas atividades, porque eu não tenho filhos. A mulher que é mãe tem uma dificuldade maior, porque existem outras vidas que não a dela que mexem muito na agenda. Reconheço e valorizo muito a mulher que, como eu, também tem uma agenda insana e ainda cria seus filhos. Além da rotina intensa como delegada, Martha Vergine também leciona e produz conteúdos informativos para mulheres. Arquivo Pessoal Existe alguma área do trabalho policial que considera mais desafiadora? Algum caso marcou muito sua carreira? A segurança pública como um todo já é naturalmente desafiadora. Lidamos diariamente com conflitos humanos profundos e casos de violência grave. Os casos que mais me impactaram são aqueles que envolvem mulheres e crianças. Trabalhei um período na divisão antissequestro e essas ocorrências sempre marcaram muito. Um dos que mais me marcou [ocorreu] no começo da carreira. O caso de uma menina de cerca de oito anos vítima de abuso sexual por parte do namorado da avó dela. Quando prendemos o agressor, ela ficou com muita raiva de mim, porque ainda não entendia o que havia acontecido e pedia para não prendê-lo. Chorei naquela madrugada pensando naquela criança. Como começou a sua atuação nas redes sociais, com dicas de segurança para mulheres, principalmente em viagens? A ideia surgiu da união de duas coisas da minha vida, que são os mais de 20 anos de experiência como delegada e minha paixão por viajar. Já visitei mais de 90 países e sempre viajei com planejamento e consciência de segurança. Percebi que muitas mulheres têm o sonho de viajar, mas não têm a segurança ou o conhecimento necessários para isso, e comecei a compartilhar as orientações. Hoje esse conteúdo evoluiu para algo maior, que eu chamo de inteligência urbana. Trabalho tanto com a informação, que é o preventivo, quanto com ajudar as mulheres a entenderem e lerem o mundo para não serem vítimas. Meu foco é mostrar como não se tornar alvo. Quanto mais pessoas aprendem o meu conteúdo, menos vítimas eu acredito que terei na delegacia. Quais atitudes básicas são importantes para mulheres se prevenirem em viagens? A segurança começa antes mesmo de fazer a mala. É fundamental pesquisar sobre o destino, entender os costumes locais e evitar comportamentos que possam gerar riscos. Também é importante manter atenção ao ambiente, observar o comportamento das pessoas ao redor e saber interpretar situações. Essa capacidade de leitura do ambiente é o que eu chamo de inteligência urbana. Como a experiência de já ter visitado 93 países influência sua percepção sobre o mundo? Viajar amplia muito a percepção sobre o mundo. Cada lugar tem uma cultura, hábitos e dinâmicas sociais diferentes. Eu sempre digo que nunca volto a mesma pessoa de uma viagem. Mas, ao mesmo tempo, a segurança sempre precisa ser um pilar. Não depende apenas do lugar, mas também da forma como nos posicionamos naquele ambiente. Como analisa o cenário atual da violência contra a mulher? É um problema estrutural e muito sério. Acredito que no passado não existia menos violência, apenas se falava menos sobre o assunto. Muitas situações de violência contra a mulher eram culturalmente toleradas. Hoje se sabe mais, as mulheres têm mais consciência e conseguem enxergar com um pouco mais de facilidade um lar abusivo ou relacionamento tóxico, além de mecanismos facilitados para procurar ajuda. Apesar da evolução, ainda precisamos de políticas públicas eficazes, atuação firme das instituições e uma mudança cultural com os homens e meninos que estão crescendo. Precisamos fortalecer as mulheres com informação e autonomia. Por que muitas mulheres ainda têm receio de denunciar? Não existe uma resposta simples para um problema complexo. Muitas vezes há dependência emocional ou financeira, medo de represálias, vergonha ou falta de rede de apoio. Em alguns casos, o agressor é bem visto socialmente, o que faz com que a vítima tenha medo de ser desacreditada. Por isso é fundamental fortalecer a autonomia, seja emocional, física ou financeira das mulheres. Quais atitudes simples ajudam na prevenção da violência no dia a dia? Essa habilidade de reconhecer os sinais e se questionar. Se um relacionamento causa medo, insegurança ou sofrimento constante, não é amor. É importante buscar ajuda, seja com familiares, amigos, profissionais ou instituições como delegacias e serviços de apoio. E nunca normalizar comportamentos violentos. Quais habilidades são essenciais para mulheres que desejam seguir carreira policial? A carreira policial exige preparo técnico, equilíbrio emocional e capacidade de tomar decisões sob pressão porque isso acontece quase todos os dias. Essa carreira exige um compromisso de servir a sociedade. É uma profissão de serviço, de ajudar pessoas em momentos difíceis. Se a mulher tem coragem e senso de responsabilidade, vai ser muito feliz nessa profissão. Para encerrar: qual mensagem você deixa neste Dia Internacional da Mulher? Acho que o Dia da Mulher é todo dia, mas ter um dia específico é importante para reflexão. Ainda vivemos em um mundo que não é totalmente seguro para as mulheres. Por isso é fundamental investir em conhecimento, autonomia, inteligência, autoestima e independência financeira. Também é importante fortalecer a mente e o corpo, desenvolver coragem e capacidade de reagir diante de situações de risco. Quando a mulher desenvolve isso que chamo de inteligência urbana, ela consegue viver com mais liberdade e segurança. Nesse dia é importante que a gente converse sobre ser mulher no mundo moderno. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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