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'Dias difíceis e de muita luta', diz vítima que denunciou treinador investigado por pedofilia no interior de SP

Caso está sendo investigado pela delegacia de Piraju (SP) Reprodução/Google Street View Um dos homens que denunciaram um treinador de futebol investigado por...

'Dias difíceis e de muita luta', diz vítima que denunciou treinador investigado por pedofilia no interior de SP
'Dias difíceis e de muita luta', diz vítima que denunciou treinador investigado por pedofilia no interior de SP (Foto: Reprodução)

Caso está sendo investigado pela delegacia de Piraju (SP) Reprodução/Google Street View Um dos homens que denunciaram um treinador de futebol investigado por pedofilia pela Polícia Civil em Piraju (SP) relembrou os abusos sofridos na infância durante uma sessão de terapia, quando conseguiu resgatar as lembranças e compreender que o trauma o havia impedido de entender a gravidade do que ocorreu na época. As investigações começaram em janeiro deste ano, após um grupo procurar a polícia e registrar boletins de ocorrência relatando que haviam sido vítimas de abusos sexuais supostamente cometidos pelo suspeito. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp A vítima, que preferiu não se identificar, disse ao g1 que só teve coragem de tornar o caso público 20 anos após o ocorrido e por meio de uma postagem nas redes sociais. Além disso, registrou um boletim de ocorrência em setembro do ano passado relatando as situações. "Têm sido dias difíceis e de muita luta, pois, além do esforço de reviver o caso para fazer e expor a denúncia, não temos resposta de nenhum órgão a respeito do assunto", lamenta. No depoimento registrado no boletim de ocorrência, a vítima diz que foi abordada pelo treinador em 2005, quando tinha 10 anos. Ela afirma que o investigado se aproximava dos alunos durante os treinos e os convidava para ir até a casa dele. No caso dela, os abusos teriam ocorrido mais de uma vez. Segundo o relato feito à polícia, nas primeiras ocasiões o homem teria feito toques nas pernas e no pênis da vítima. Em outro episódio, o suspeito teria pedido que ela se deitasse de bruços e a penetrado. Ainda conforme o relato, ele pedia que a criança não contasse a ninguém e afirmava que as situações contribuiriam para o desempenho dela nos treinos. Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças Outros casos Segundo a Polícia Civil, os casos teriam ocorrido em períodos distintos, sendo o primeiro em 1998 e o mais recente em 2024. Na época, as vítimas tinham entre sete e 13 anos e eram todas do sexo masculino. Após a vítima citada na reportagem tornar o caso público, outras pessoas também passaram a relatar que haviam sido vítimas do mesmo suspeito. "Criamos uma rede na qual nos apoiamos entre os casos novos e antigos e nos manifestamos cobrando informação e justiça." Para ele, a repercussão do caso trouxe esperança e alívio. Foi a partir dela que passou a receber apoio de outras pessoas e a acreditar na possibilidade de que as denúncias sejam devidamente investigadas. "Na verdade, eu já imaginava que ele ainda fazia isso, eu não devo ter sido o primeiro e nem o último. As pessoas começaram a me procurar sobre fatos que aconteceram esse ano. Eu conversei com um amigo, ele me contou que passou pelo mesmo e não tinha coragem de expor", contou. O homem e o suspeito não tiveram nenhum contato desde que os casos começaram a ser expostos e investigados. "Também espero que isso não aconteça, pois não acredito em uma justificativa para este tipo de crime. Meu contato é com as novas vítimas para apoiá-las e oferecer ajuda", aponta. Investigação O investigado é proprietário de uma escola de futebol, que, até janeiro deste ano, seguia em funcionamento e é financiada por pais de alunos e empresários. Em 30 de janeiro, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do investigado. O mandado foi cumprido no Conjunto Habitacional "Vereador Osvaldo Dearo Castilho". Foram apreendidos aparelhos eletrônicos que pertenciam ao homem. Em um dos registros, datado de 2024, consta que a vítima, ainda menor de idade, procurou o Conselho Tutelar para denunciar o caso e precisou de atendimento especializado no Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Segundo o relato, os abusos teriam ocorrido durante uma aula de educação física. Em nota, a Prefeitura de Piraju informou que o homem atua na rede pública desde 1992 e que, atualmente, exerce o cargo de monitor de esportes. Ele foi afastado das funções em razão das denúncias, e dois processos administrativos foram instaurados contra o suspeito. O que diz o suspeito O g1 procurou o treinador para se manifestar, mas não obteve retorno. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele rebateu as denúncias. "Recentemente fiquei sabendo de diversas acusações com relação à minha pessoa. Eu sou uma pessoa de família. Jamais na minha vida eu cometeria algo dessa natureza, principalmente com crianças", disse. O Ministério Público informou que os fatos são investigados pela Polícia Civil e que os procedimentos tramitam sob sigilo, em razão da natureza do crime apurado e da possível existência de outras vítimas. *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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