Direita concentra gastos em redes sociais entre deputados mais votados de SP; esquerda aposta em 'santinhos'
Da esquerda para a direita: Lucas Pavanato, Erika Hilton, Eduarda Campopiano, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Eduardo Suplicy. Reprodução Os seis candidatos a ...
Da esquerda para a direita: Lucas Pavanato, Erika Hilton, Eduarda Campopiano, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Eduardo Suplicy. Reprodução Os seis candidatos a deputado mais votados de São Paulo nas eleições para deputado federal e estadual adotaram estratégias diferentes para conquistar votos. Enquanto os campeões de votos da direita concentraram uma parcela maior dos gastos de campanha em redes sociais e impulsionamento, os principais nomes da esquerda destinaram mais recursos à produção de materiais impressos de campanha, como santinhos, folhetos e outros produtos gráficos. Foram considerados no levantamento os seis candidatos eleitos com mais de 500 mil votos no estado, quatro para a Câmara dos Deputados e dois para a Assembleia Legislativa (Alesp). São eles: Lucas Pavanato (PL), Erika Hilton (PSOL), Eduarda Campopiano (PL), Eduardo Suplicy (PT), Sâmia Bomfim (PSOL) e Kim Kataguiri (Missão). Juntos, eles somam mais de 18 milhões de seguidores no Instagram, plataforma que se consolidou como uma das principais vitrines da campanha eleitoral. Dados das prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral mostram que o investimento digital foi maior entre os representantes da direita se comparados com os candidatos da esquerda (veja lista abaixo). O exemplo mais expressivo é o do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, que recebeu mais de 3 milhões de votos e se tornou o candidato mais votado para o cargo na história de São Paulo. Ele declarou despesas de R$ 2,7 milhões, dos quais aproximadamente R$ 1,35 milhão foram destinados a ações digitais e impulsionamento de conteúdo. O valor corresponde a metade de todos os gastos da campanha. Guia do Eleitor: Como saber se meu título está regular? A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, seguiu estratégia semelhante à de Pavanato, com quem fez dobradinha durante a campanha. Cerca de R$ 400 mil foram destinados a impulsionamento em redes sociais, o equivalente a 61% do total de R$ 654 mil em despesas declaradas. Ambos já eram influenciadores conservadores antes de ingressar na política e têm nas redes sociais sua principal plataforma eleitoral. Pavanato reúne cerca de 5,5 milhões de seguidores no Instagram, enquanto Eduarda soma aproximadamente 2,5 milhões. Conhecido pelo ativismo nas redes, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), de 30 anos, adotou uma estratégia intermediária. Reeleito com 520 mil votos, o parlamentar declarou despesas totais de R$ 469 mil, sendo que R$ 118 mil foram destinados ao impulsionamento de conteúdo digital e R$ 116 mil foram gastos com material gráfico e serviços de postagem. Mais votados da esquerda Entre os mais votados da esquerda, os gastos na internet foram menores. A deputada federal Erika Hilton (PSOL), de 33 anos, se reelegeu com 1,59 milhão de votos e foi a candidata mais votada do campo progressista no estado. Dos R$ 1,63 milhão investido na campanha, apenas R$ 188 mil foram destinados a impulsionamento, estratégia digital e produção de conteúdo, o equivalente a 11,5% das despesas totais Apesar da forte presença nas redes sociais, onde reúne cerca de 5,3 milhões de seguidores no Instagram, os gastos priorizaram a produção de material gráfico, que consumiu R$ 453 mil. A mesma tendência aparece nas contas de campanha da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), de 37 anos, reeleita com mais de 583 mil votos. Os gastos com comunicação digital e impulsionamento somaram cerca de R$ 400 mil, enquanto a principal despesa foi a produção de materiais impressos, que consumiu R$ 775 mil. Ao todo, a campanha custou R$ 1,98 milhão. Já o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), reeleito com 654 mil votos aos 85 anos, realizou uma campanha consideravelmente mais barata. As despesas totais ficaram na casa dos R$ 90 mil, dos quais R$ 30 mil foram direcionados a ações digitais e apenas R$ 2 mil a serviços gráficos. Os mais votados para a Câmara dos Deputados por SP Lucas Pavanato (PL) – 3.038.438 votos Despesas totais de campanha: R$ 2.702.190,92 Gastos com redes sociais: R$ 1,352 milhão (50,0%) Gastos com material gráfico: R$ 352,5 mil (13,0%) Erika Hilton (PSOL) – 1.596.383 votos Despesas totais de campanha: R$ 1.629.652,72 Gastos com redes sociais: R$ 188 mil (11,5%) Gastos com material gráfico: R$ 453 mil (27,8%) Sâmia Bomfim (PSOL) – 583.107 votos Despesas totais de campanha: R$ 1.975.876,85 Gastos com redes sociais: R$ 400 mil (20,2%) Gastos com material gráfico: R$ 775 mil (39,2%) Kim Kataguiri (Missão) – 520.071 votos Despesas totais de campanha: R$ 469.244,42 Gastos com redes sociais: R$ 118.438,50 (25,2%) Gastos com material gráfico e postagem: R$ 116 mil (24,7%) Os mais votados para a Alesp Eduarda Campopiano (PL) – 1.956.238 votos Despesas totais de campanha: R$ 654.315,52 Gastos com redes sociais: R$ 400 mil (61,1%) Gastos com material gráfico: R$ 75 mil (11,5%) Eduardo Suplicy (PT) – 654.627 votos Despesas totais de campanha: R$ 97.889,25 Gastos com redes sociais: R$ 30 mil (30,6%) Gastos com material gráfico: R$ 2 mil (2,0%)