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Djamila Ribeiro lança nova edição de 'Lugar de Fala', discute a popularidade do termo e os caminhos do feminismo

Djamila Ribeiro visita Santos, SP, para aula magna e sessão de autógrafos Filósofa, escritora e ativista, Djamila Ribeiro lançou a edição ampliada do best...

Djamila Ribeiro lança nova edição de 'Lugar de Fala', discute a popularidade do termo e os caminhos do feminismo
Djamila Ribeiro lança nova edição de 'Lugar de Fala', discute a popularidade do termo e os caminhos do feminismo (Foto: Reprodução)

Djamila Ribeiro visita Santos, SP, para aula magna e sessão de autógrafos Filósofa, escritora e ativista, Djamila Ribeiro lançou a edição ampliada do best-seller "Lugar de Fala" em Santos (SP). Em entrevista ao g1, ela falou sobre as mudanças na obra, a popularização do conceito do termo 'lugar de fala' nas redes sociais, dos caminhos do feminismo e a influência da cidade de Santos em sua trajetória. "O lugar de fala não é interdito do debate, é ampliar o debate", afirmou. Segundo Djamila, a nova edição acompanha as transformações dos últimos anos e busca aprofundar o debate sobre o conceito que dá nome ao livro. A escritora também comentou as simplificações que o termo passou a sofrer nas redes sociais. Djamila lança nova edição do livro 'Lugar de Fala' Divulgação/Djamila Ribeiro O que o público pode esperar desta nova edição de "Lugar de Fala"? Veja a entrevista completa abaixo: O livro vem com prefácio de Chimamanda Ngozi Adichie e apresentação de Grada Kilomba, autoras com quem pude dialogar desde a publicação da edição original, em 2017. Também trago novas referências e outras autoras que ajudam a ampliar o conceito de lugar de fala. Penso o lugar de fala no jornalismo, no marketing de influência e no debate sobre os direitos das mulheres. Essa minha oportunidade de trabalhar, estudar e dar aulas fora do Brasil me fez ter acesso a outras bibliografias que à época eu não tinha, além de muitos debates que ainda não estavam acontecendo quando o livro foi lançado. O livro quadruplicou de tamanho e ganha uma segunda parte totalmente inédita, acompanhando as transformações desses últimos dez anos. O que a experiência de morar e lecionar no exterior mudou na sua visão sobre o Brasil? Primeiro, me mostrou o quanto a nossa formação no Brasil é excelente. Às vezes, nós brasileiros nos depreciamos muito, mas temos uma formação importantíssima. O Brasil é exemplo na implementação de políticas públicas que não acontecem em outros países. Racismo é crime no Brasil; nos Estados Unidos, por exemplo, não é. Essa experiência me mostrou uma coisa que eu já sabia: o quanto temos que valorizar mais as nossas produções. Djamila Ribeiro lança nova edição de 'Lugar de Fala', discute a popularidade do termo e os caminhos do feminismo Reprodução/TV Tribuna E de que forma essa vivência ampliou seus estudos sobre feminismo? Dar aulas na Universidade de Nova York e no MIT me proporcionou conhecer outros pesquisadores e acessar novas bibliografias, isso só ampliou ainda mais meus estudos. E não pensando só sobre o feminismo negro, mas pensando sobre a teoria feminista como um todo. No livro eu trago feministas indígenas, o pensar sobre o feminismo comunitário, da Argentina e do México, que têm discussões importantes sobre feminicídio, que também tive oportunidade de ir para esses países. Acho que esse diálogo também aqui na América do Sul e em países africanos enriqueceu muito meu repertório intelectual. Hoje o conceito de lugar de fala é muito usado nas redes sociais. Como você avalia esse processo? Como o termo acabou fazendo parte do vocabulário brasileiro, vieram também muitas simplificações. Muitas pessoas não leram o livro e passaram a reproduzir interpretações que viram na internet. Acho que isso acontece com vários conceitos que se tornam populares. Existe um lado positivo: é bom que as pessoas estejam falando sobre isso. Mas o que eu espero é que as pessoas possam aprofundar esse debate. Djamila Ribeiro com os livros "Cartas para minha avó" e "Pequeno Manual Antirracista" Flavio Teperman/Divulgação Afinal, o que significa lugar de fala? Lugar de fala não é interdito do debate, é ampliar o debate. Não é sobre o que se fala, mas de onde se fala, trazendo diferentes perspectivas de lugares sociais distintos. Estamos falando da pouca presença de mulheres na literatura, da pouca presença de pessoas negras na mídia hegemônica e de como esses lugares sociais impactam as oportunidades de determinados grupos. O conceito busca ampliar esse debate, valorizando a produção intelectual de povos indígenas e de mulheres negras. A gente quer ampliar esse debate. Espero que as pessoas possam, de fato, ir à fonte do que é e não reproduzirem o esvaziamento e as simplificações., Você nasceu em Santos. Qual é a importância da cidade na sua trajetória? Sou daqui, minha filha também nasceu aqui. Santos foi uma cidade que me formou profundamente. Meu pai foi estivador no Porto de Santos, estudei no Colégio Moderno dos Estivadores, trabalhei na Casa de Cultura da Mulher Negra e fui voluntária da Educafro, um cursinho pré-vestibular para jovens em situação de vulnerabilidade social. Muito da minha formação intelectual e política nasceu dessas experiências. E como é voltar a Santos hoje? Guardo essa cidade com muito carinho e sempre volto quando posso. Além de fazer parte da minha memória afetiva, Santos também faz parte da minha construção como intelectual e ativista. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos .

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