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'Ela gargalhava enquanto eu estava amarrado', diz ex-paciente de médica foragida após condenação por tortura em Ribeirão Preto, SP

Ex-paciente de médica condenada por tortura relata agressões em Ribeirão Preto, SP Um ex-paciente da médica Maria Teresa Cabrera Bellini, psiquiatra condena...

'Ela gargalhava enquanto eu estava amarrado', diz ex-paciente de médica foragida após condenação por tortura em Ribeirão Preto, SP
'Ela gargalhava enquanto eu estava amarrado', diz ex-paciente de médica foragida após condenação por tortura em Ribeirão Preto, SP (Foto: Reprodução)

Ex-paciente de médica condenada por tortura relata agressões em Ribeirão Preto, SP Um ex-paciente da médica Maria Teresa Cabrera Bellini, psiquiatra condenada por tortura e considerada foragida pela Justiça, relatou à EPTV, afiliada da TV Globo, que foi agredido por monitores de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos de Ribeirão Preto (SP), em 2014, por ordem dela. O advogado Luís Henrique de Souza Fallone conta que tudo começou na primeira consulta, quando questionou os métodos terapêuticos adotados no centro de tratamento. Segundo ele, a médica ordenou que os monitores que estavam na sala fizessem uma "contenção". "Essa contenção foi iniciada com socos e pontapés e com enforcamento mecânico. E a doutora Maria Teresa gargalhava enquanto eu estava amarrado na maca", afirma. Procurada pela reportagem, a defesa dos três condenados no caso disse que não tem nada a declarar. 📱 Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsA Luís Henrique de Souza Fallone, advogado e ex-paciente da clínica de uma reabilitação em Ribeirão Preto (SP) acusada de tortura pelo Ministério Público Reprodução/EPTV Maria Teresa era responsável técnica pela clínica e sócia da unidade ao lado da irmã, Marluci Cabrera Bellini Henares, e do então cunhado, Djalma Antônio Henares Júnior, presos em Portugal depois de entrarem na lista de procurados da Interpol. Antes de ser considerada foragida, ela atendia como psiquiatra em Ribeirão Preto e em Cravinhos (SP). Segundo a acusação do Ministério Público, a médica tinha ciência da manipulação de um coquetel de medicamentos controlados aplicado para manter os pacientes dopados e sem resistência. 'Campo de concentração' Luís Henrique já era advogado quando esteve internado, em 2014. Ele diz que, embora estivesse em tratamento por abuso de substâncias, não concordou com a medida terapêutica indicada pela médica e tentou discutir a decisão. "À medida que eu fui tentar argumentar com ela, de forma incisiva, porém sem ter nenhum tipo de reação física ou agressão, ela ordenou que os monitores que estavam lá presentes fizessem uma contenção", relata. Ele descreve a abordagem dos monitores como agressiva e violenta e resume assim o período em que ficou na unidade: "Estava ali numa mistura de campo de concentração com prisão de Guantánamo". Para o advogado, a condenação dos responsáveis pela clínica é o que torna possível falar abertamente sobre o que diz ter sofrido. "É muito bom ver, depois de 12 anos, que a condenação se tornou definitiva. E eu posso falar disso abertamente e contar para evitar que famílias coloquem seus parentes, seus familiares em locais como esse", diz. A médica Maria Tereza Cabrera Bellini, condenada por tortura em clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV O caso A clínica funcionava no Recreio das Acácias, na zona Sul de Ribeirão Preto, e passou a ser investigada em agosto de 2014, depois que o Ministério Público cumpriu mandados no local a partir de relatos de agressões contra internos. Doze anos depois, a condenação por tortura levou à expedição dos mandados de prisão. A irmã e o ex-cunhado da médica foram localizados e presos em Portugal, enquanto ela entrou na lista de procurados da Interpol. Por que o processo levou 12 anos? O intervalo entre o início das investigações e as prisões inclui a apuração, a produção de provas em primeira instância, a oitiva de vítimas e os recursos apresentados pelos réus até o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A clínica de reabilitação foi alvo de uma ação do Ministério Público e da Polícia Civil em agosto de 2014, depois de denúncias feitas por ex-internos e familiares. A investigação começou depois que dois ex-internos e as mães deles procuraram a Promotoria para denunciar a clínica. Segundo o MP, os relatos apontaram agressões com socos e pedaços de madeira, internos amarrados e jogados no chão, castigos psicológicos e uso forçado de medicamento controlado. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca

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