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Ex-funcionários da Fepasa se reúnem e criticam abandono em Itapetininga: 'Uma pena'

Funcionários da Fepasa se reúnem após 45 anos e encontram estruturas abandonadas Quatro décadas e meia, 16.425 dias, 1,2 bilhão de segundos. Foi preciso es...

Ex-funcionários da Fepasa se reúnem e criticam abandono em Itapetininga: 'Uma pena'
Ex-funcionários da Fepasa se reúnem e criticam abandono em Itapetininga: 'Uma pena' (Foto: Reprodução)

Funcionários da Fepasa se reúnem após 45 anos e encontram estruturas abandonadas Quatro décadas e meia, 16.425 dias, 1,2 bilhão de segundos. Foi preciso esperar 45 anos para que um grupo de ex-funcionários da antiga Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) conseguisse se reunir em Itapetininga (SP) para reviver memórias, colocar o papo em dia e matar a saudade do tempo em que trabalhavam lado a lado nos trilhos. A ideia de promover o reencontro era antiga, mas só saiu do papel agora graças ao empenho do assistente social e ex-ferroviário José Roberto Branco. Ele usou as redes sociais para localizar os antigos companheiros de trabalho, criando uma rede de contatos que foi se multiplicando entre os amigos. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp "Apesar de fazer muito tempo que não nos vemos, foi até que fácil encontrá-los por meio das redes sociais. Tentamos fazer essa reunião há sete anos, mas não deu certo. Agora, conseguimos reunir mais pessoas, com um contatando o outro", conta José Roberto. Depósito de locomotivas da antiga Fepasa, em Itapetininga (SP) Diogo Del Cistia/g1 LEIA TAMBÉM TCE julga irregular aumento de 32% no salário dos vereadores de Itapetininga e exige devolução de valores recebidos Museu Histórico Paulo Setúbal, em Tatuí, passa por obras de recuperação estrutural Artistas, políticos e 1ª aviadora do Brasil: conheça as histórias das estátuas de Itapetininga A confraternização foi na casa de um amigo de José Roberto, que mora ao lado do antigo depósito de trens da Fepasa, na Vila Arruda, em Itapetininga. O ex-funcionário conseguiu comprar a propriedade depois da privatização da companhia ferroviária, no final dos anos 90. "Alguns funcionários compraram as casas no entorno. Tenho três amigos que ainda moram ali, próximo ao depósito de locomotivas. O local foi privatizado do meio para o final da década de 1990", comenta. Com os amigos reunidos, eles decidiram visitar o antigo depósito de locomotivas da Fepasa. No entanto, se depararam com uma situação triste aos olhos dos ex-funcionários: o local está completamente abandonado. Initial plugin text O g1 esteve no entorno da estrutura. Nas imagens, é possível ver que o antigo depósito está com galpões deteriorados, sem janelas e cheio de pichações. Veja as imagens ao decorrer desta reportagem. "A Fepasa foi privatizada e passou a ser responsabilidade da América Latina Logística (ALL). Logo em seguida, eles desativaram tudo, venderam tudo e acabaram com tudo. Se tornou um ambiente perigoso", declara José Roberto. Depósito de locomotivas da antiga Fepasa, em Itapetininga (SP) Diogo Del Cistia/g1 O abandono do depósito de locomotivas da Fepasa foi denunciado pela TV TEM pela primeira vez ainda em 2012. À época, moradores já apontam o local como um transtorno, por ser utilizado por usuários de drogas e criminosos, o que causava insegurança na região. Na ocasião, o morador João Sebastião de Lima havia se mudado recentemente para o bairro e dizia estar preocupado com a situação: “Acredito que se arrumassem esse espaço, dessem uma destinação útil para ele, não teríamos mais problemas." A equipe de reportagem novamente apontou problemas envolvendo a estrutura em 2015, devido ao acúmulo de água no interior dos galpões. No período, a cidade enfrentava um aumento nos casos de dengue e os prédios não eram limpos desde 2013. Depósito de locomotivas da Fepasa, em Itapetininga (SP) Arquivo pessoal Abner Lourenço Dalmásio se dizia preocupado com a situação do barracão. “Está muito complicado. Por conta da chuva, o local tem muitas poças de água. Além disso, tem muito lixo e apesar do muro ser alto, o mato está muito alto”, afirmou à época. Depósito de locomotivas da antiga Fepasa, em Itapetininga (SP) Diogo Del Cistia/g1 Atualmente, a diferença é que o depósito está fechado com um alambrado, para conter a entrada de pessoas não autorizadas. José Roberto imagina que o espaço poderia ser amplamente utilizado pelo poder público e, na visão dele, o local representa grandes memórias de um bom período da vida. "Eu já tive várias profissões, mas tenho um sentimento de ferroviário. Eu estudei lá dentro também, pois havia uma escola. Éramos em 10 moleques, hoje somos 10 senhores de 60 anos. É uma pena, pois a própria prefeitura poderia utilizar aquilo ali. Era uma potência e motivo de orgulho para todos nós", lamenta. Em nota enviada ao g1, a Prefeitura de Itapetininga afirma que a área pertence ao Governo Federal e é concessionada pela administração municipal até fevereiro de 2027, contrato que deverá ser renovado posteriormente. Além disso, a gestão informou que faz reparos e manutenções periódicas no local, bem como rondas da Guarda Civil Municipal (GCM) no entorno. Abandono é geral Ferrovias trouxeram modernidade para o interior, relembra ex-ferroviário de Itapetininga (SP) Igor Chaves/Arquivo Com o fechamento da oficina da Fepasa na Vila Arruda, no início dos anos 2000, a antiga ALL transferiu a manutenção de locomotivas e vagões para um pavilhão ao lado da Estação Ferroviária, na praça Gaspar Ricardo. O g1 também esteve no local e constatou uma estrutura precária, sem janelas e com galpões sem paredes e portas. Um funcionário, que preferiu não se identificar, afirma que as operações terminaram em 2012, já quando a ALL havia assumido a gestão. "Aqui, eles mexiam com a manutenção de locomotivas e parte de rodeiro. Em parte dela, há uma área particular onde um homem mexe com portões. O galpão da Vila Arruda era bem grande e tinha bastante coisa, inclusive dentista e banco", descreve. Oficina está em condições precárias Diogo Del Cistia/g1 O movimento, segundo o funcionário, mudou bastante em comparação àquela época. No início da década de 2010, eles chegavam a receber de quatro a cinco trens de carga por dia. O último trem que visitou a estação ferroviária de Itapetininga passou em novembro de 2025. "Era transporte de madeira, BCP, polietileno, outros materiais. O movimento era muito forte em Tatuí, e o pessoal passava por aqui e descarregava lá. Depois que tudo foi desativado, ficamos apenas transportando os vagões vazios para fazer reforma", lembra. Linha ferroviária de Itapetininga (SP) Diogo Del Cistia/g1 Logo após, os vagões vazios foram destinados à Curitiba (PR). Atualmente, os funcionários da antiga oficina, apesar de terem cargos relacionados à ferrovia, trabalham apenas com a roçagem do local para evitar transtornos. "Estamos fazendo a roçagem e a limpeza do perímetro urbano há cerca de sete meses. Está tudo bem largado por aqui. Há apenas quatro funcionários. Aqui é uma área onde as pessoas passam para cortar caminho e já teve muitos roubos", desabafa. O g1 entrou em contato com a Rumo, responsável pela concessão da ferrovia em Itapetininga, que informou em nota que o trecho ferroviário do município faz parte da Malha Sul e que a concessionária mantém diálogo com o Ministério dos Transportes, poder concedente, para avaliar alternativas para o futuro da linha. "As definições sobre eventuais encaminhamentos estão no âmbito do Governo Federal. Desta forma, eventuais discussões sobre aditivos contratuais e destinação de bens serão conduzidas oportunamente, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo poder concedente", diz a nota. Local está em situação precária Diogo Del Cistia/g1 Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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