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Gêmeos, médicos e santos: por que São Cosme e Damião são associados a doces?

Festa de São Cosme e Damião na Tenda de Umbanda Senzala dos Pretos Velhos, em São José dos Campos (SP) Vinicius Aires A história e devoção a São Cosme e...

Gêmeos, médicos e santos: por que São Cosme e Damião são associados a doces?
Gêmeos, médicos e santos: por que São Cosme e Damião são associados a doces? (Foto: Reprodução)

Festa de São Cosme e Damião na Tenda de Umbanda Senzala dos Pretos Velhos, em São José dos Campos (SP) Vinicius Aires A história e devoção a São Cosme e Damião atravessam diferentes religiões e são lembradas pelo costume de distribuir doces às crianças. Essa tradição, celebrada no Vale do Paraíba e região, assim como em todo o Brasil, foi resultado de uma mistura da Igreja Católica com as religiões de matriz africana. 🗓️ A diferença na data também acompanha as tradições de cada vertente. No catolicismo, os santos são lembrados em 26 de setembro. Já nas religiões afro-brasileiras, a data associada aos dois é 27 de setembro. Segundo o presbítero da Diocese de São José dos Campos (SP), Padre Edinei Batista, Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e médicos que viveram por volta do século IV, e dedicaram suas vidas aos cuidados com os mais necessitados e a Deus. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp "Eles eram cristãos, de origem oriental, e eram médicos. Atendiam as pessoas e faziam o bem, cuidavam de quem precisava de maneira gratuita, não recebendo por isso, sobretudo dos pobres. E, por serem seguidores de Cristo, também faziam isso, gastando a sua vida, seu conhecimento a serviço de quem mais precisava", contou o padre. Agora no g1 Durante o Império de Diocleciano, em Roma, os santos foram perseguidos e mortos. Por serem mártires, foram canonizados ainda na antiguidade. Eles também são considerados padroeiros de profissionais da área da saúde, como médicos, enfermeiros e farmacêuticos. Tradição dos doces Apesar de pessoas de diferentes crenças distribuírem doces às crianças, o padre explica que a prática não faz parte da celebração na Igreja Católica. Segundo a dirigente espiritual da Tenda de Umbanda Senzala dos Pretos Velhos, em São José dos Campos, Katia Moreira, a ação começou a partir de uma mistura das religiões de matriz africana com o catolicismo. De acordo com Katia, devido à perseguição e preconceito, a Umbanda associou São Cosme e Damião aos orixás Ibejis, que também são gêmeos, e às entidades Erês, que representam a infância. "Quando o povo negro vem para o Brasil, cada um cultuava os seus orixás, cultuava os seus inquices, os seus voduns. E em terras brasileiras, eles não tinham permissão, havia preconceito, tudo que vinha do negro era ruim, era demoníaco. Então, pra poderem cultuar as suas divindades, eles sincretizavam em santos que mais se assemelhavam", explicou a dirigente espiritual. Por cultuarem orixás e entidades relacionadas às crianças e associarem com a imagem de São Cosme e Damião, a distribuição de doces se tornou parte da celebração. Além disso, segundo Katia, a festa também reúne pessoas de outras religiões e é aberta ao público. Festa de São Cosme e Damião na Tenda de Umbanda Senzala dos Pretos Velhos, em São José dos Campos (SP) Vinicius Aires "Eu sei que ainda existe uma luta com relação a aceitar, achar que isso é coisa do demônio. Mas a gente procura trazer esse pessoal pra perto da gente, pra entenderem que o nosso trabalho não é esse, muito pelo contrário. Nosso trabalho é trazer esperança. Quem é que consegue ficar triste comendo bolo de chocolate?", comentou Katia. Para ela, compartilhar os alimentos é uma forma de mostrar o significado da tradição e aproximar pessoas de diferentes crenças. Já na Igreja Católica, a data é celebrada com missas e orações em homenagem aos santos. A distribuição de doces não é considerada um pecado no catolicismo, porém não faz parte da religião, segundo o padre. De acordo com ele, o foco da celebração na Igreja está no exemplo de fé, no amor ao próximo e no serviço aos necessitados. *Estagiária colaborou sob supervisão de Alice Aires. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

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