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Justiça de SP torna réus 14 investigados por esquema milionário de fraudes tributárias

Prédio da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo Reprodução/Governo de SP A Justiça de São Paulo recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Públi...

Justiça de SP torna réus 14 investigados por esquema milionário de fraudes tributárias
Justiça de SP torna réus 14 investigados por esquema milionário de fraudes tributárias (Foto: Reprodução)

Prédio da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo Reprodução/Governo de SP A Justiça de São Paulo recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público e tornou réus 14 investigados por envolvimento em um esquema de fraudes tributárias dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado (Sefaz-SP). Na mesma decisão, o juiz Tiago Ducatti Lino Machado decretou a prisão preventiva de sete dos acusados. O grupo é acusado de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa. Segundo a denúncia do Ministério Público, o esquema operava desde 2018 em diversas cidades do estado, incluindo São Paulo, Osasco, Barueri e Valinhos. Um dos principais operadores, Rafael Merighi Valenciano, é acusado de solicitar e receber pagamentos de R$ 2 milhões em espécie, além de uma caminhonete blindada, repassados pelo proprietário de uma empresa de plásticos em troca de vantagens indevidas. Segundo os promotores, a organização manipulava processos de ressarcimento de ICMS, gerando concorrência desleal e lesão de grande escala aos cofres públicos. De acordo com a denúncia, Rafael desempenhava papel central na organização e teria cooptado diversas empresas para a "carteira de clientes" do esquema. VÍDEO: Veja quando o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, chega à delegacia após ser preso A investigação, que deflagrou a operação "Mágicos de Oz", em março de 2026, revelou que o grupo utilizava a estrutura do próprio estado para cometer os crimes. Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, apontada como braço direito de Rafael, utilizava computadores, certificados digitais e senhas de auditores fiscais da Sefaz para manipular bases de dados sensíveis às quais não deveria ter acesso, já que não é servidora. Tanto Rafael quanto Maria Hermínia já estavam presos e tiveram a custódia mantida pela nova decisão da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, publicada em 23 de abril. O magistrado justificou as demais prisões preventivas apontando a necessidade de interromper a engrenagem criminosa e frear a complexa estrutura de lavagem de capitais. Segundo a denúncia, fiscais como Milton Mamoru Nakanishi, Fernando Kenji Iwai e Jorge David Júnior atuavam ativamente na criação de empresas de fachada e uso de familiares como "laranjas" para ocultar os valores ilícitos. Material apreendido durante operação "Mágicos de Oz", que prendeu auditor fiscal suspeito de envolvimento esquema de corrupção e fraudes tributárias em SP Divulgação Durante a operação, os investigadores encontraram evidências de blindagem patrimonial com o uso de criptomoedas na residência de Milton e apreenderam com Fernando mais de R$ 120 mil em espécie sem origem comprovada. Jorge, por sua vez, já havia sido preso em flagrante por cobrar propina de empresários em 2023. A Justiça também decretou a prisão de Osvanir Luiz Valenciano, pai de Rafael, e Jone Eder Balestra, amigo íntimo do auditor fiscal. Segundo a decisão, Osvanir atuava como operador patrimonial do grupo, usando empresas e comprando imóveis para ocultar e lavar dinheiro de propina, enquanto Jone aparece formalmente em empresas usadas para receber e dispersar recursos ilícitos. A investigação também cita a suspeita de que ele tenha retirado computadores de uma dessas firmas para destruir provas. Para outros cinco denunciados que tiveram participação no esquema, a Justiça determinou a aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. A TV Globo tenta contato com a defesa dos réus. O esquema foi identificado durante a investigação iniciada a partir de achados da "Operação Ícaro", que levou à prisão do dono e fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira. Um executivo da Fast Shop também foi preso naquela operação. O esquema teria arrecadado cerca de R$ 1 bilhão em propinas desde maio de 2021, quando teve início.

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