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MP investiga vice-prefeito, vereadores e secretários por esquema de corrupção em Ferraz de Vasconcelos; veja quem são os alvos

Vice-prefeito, parlamentares e secretários de Ferraz de Vasconcelos são investigados Divulgação/Prefeitura e Câmara de Ferraz de Vasconcelos O vice-prefeit...

MP investiga vice-prefeito, vereadores e secretários por esquema de corrupção em Ferraz de Vasconcelos; veja quem são os alvos
MP investiga vice-prefeito, vereadores e secretários por esquema de corrupção em Ferraz de Vasconcelos; veja quem são os alvos (Foto: Reprodução)

Vice-prefeito, parlamentares e secretários de Ferraz de Vasconcelos são investigados Divulgação/Prefeitura e Câmara de Ferraz de Vasconcelos O vice-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Daniel Balke, o vereador Ewerton de Lissa Souza (Podemos), os secretários municipais Adriano Dias Campos (Administração) e Pedro Paulo Teixeira Júnior (Fazenda), além do coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente Moacyr Alves de Souza, são investigados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção na Prefeitura e na Câmara Municipal. O ex-vereador Flávio Batista de Souza, conhecido como Inha, é apontado como o principal articulador do esquema. A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), no âmbito da Operação TAC, que investiga a atuação de uma organização criminosa formada para eliminar uma dívida ambiental milionária de uma empresa privada junto ao município. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Operação do MP cumpre mandados em Ferraz de Vasconcelos Segundo o Ministério Público, o grupo atuava para suprimir uma dívida da empresa PAP S.A., que ultrapassava R$ 24 milhões, valor que deixou de ser arrecadado pela Prefeitura em troca do pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. LEIA TAMBÉM: Operação do MP investiga desvio de R$ 24 milhões na Prefeitura e Câmara de Ferraz de Vasconcelos De acordo com as investigações, cada um deles atuava da seguinte maneira no esquema: Daniel Balke: Vice-Prefeito do município e secretário de Desenvolvimento Econômico, ele participava diretamente de trocas de e-mails e mensagens com Moacyr Alves de Souza e Sérgio Ianni sobre os aditivos contratuais fraudulentos. Além de agendar reuniões para tratar do tema, ele era o canal de comunicação para questões bancárias de outros membros, como quando recebeu os dados de Moacyr para uma transferência. Flávio Batista de Souza ("Inha"): Ex-vereador apontado como o intermediário central. Ele utilizava sua influência política para conectar o interesse do empresário Sérgio Ianni (PAP S.A.) aos agentes do alto escalão da Prefeitura. As mensagens em seu celular revelaram que ele atuava mediante remuneração para garantir que a prefeitura aceitasse os termos que extinguiriam a multa ambiental de R$ 24 milhões. Ewerton de Lissa Souza: Vereador e filho de Flávio. Atuava como operador logístico e financeiro, sendo responsável por localizar e gerenciar as empresas que emitiriam as notas fiscais fraudulentas para "esquentar" o dinheiro da propina. Ele negociava comissões (como uma de 2,5% sobre uma nota de R$ 100 mil) e apresentava gastos em cartões de crédito incompatíveis com sua renda oficial. Sérgio Ianni: Representante da PAP S.A. e o corruptor ativo. Ele negociava diretamente com o grupo para substituir uma dívida real com o município por pagamentos menores de propina, visando o lucro ilícito da sua empresa. Moacyr Alves de Souza: Secretário de Meio Ambiente e, posteriormente, Coordenador Executivo. Ele foi o signatário dos TACs que beneficiaram a empresa. Agia em evidente conflito de interesses, pois era sócio oculto de uma empresa contratada pela PAP S.A. para "ajudar" no cancelamento das multas que ele mesmo gerenciava na secretaria. Documentos em seus dispositivos detalhavam a divisão dos valores ilícitos entre o grupo. Adriano Dias Campos: Ocupou cargos de Secretário de Assuntos Jurídicos e de Administração. Sua função era dar o respaldo jurídico necessário para suspender as Certidões de Dívida Ativa (CDAs) contra a PAP S.A.. Recebia propina por meio da empresa de uma familiar e ocultava patrimônio (um imóvel de alto padrão em Santana de Parnaíba) através de uma holding em nome de outros familiares. Seus gastos mensais eram de R$ 55,6 mil, enquanto seu salário era de apenas R$ 11,2 mil. Pedro Paulo Teixeira Júnior: Secretário da Fazenda, ele teve o papel de anuir formalmente com a suspensão dos protestos e das dívidas milionárias da empresa, assinando o parecer jurídico que deu o suporte final para que a cobrança dos R$ 24 milhões fosse interrompida. Diante das provas colhidas pelo Ministério Público, o juiz João Luis Calabrese, da 3ª Vara Judicial de Ferraz de Vasconcelos, determinou o afastamento imediato das funções públicas do vereador Ewerton de Lissa Souza e dos secretários Adriano Dias Campos, Moacyr Alves de Souza e Pedro Paulo Teixeira Júnior pelo prazo de 180 dias. A justiça também decretou o bloqueio de bens e ativos financeiros de todos os citados, incluindo o vice-prefeito Daniel Balke. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços residenciais e gabinetes dos envolvidos. A Câmara de Ferraz informou que agentes do Gaeco estiveram no local por volta das 7h20 e vistoriaram o gabinete do vereador Ewerton de Lissa de Souza (Podemos), mas não encontraram nenhum documento relevante. Ressaltou ainda que o vereador está afastado por 180 dias. A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos informou que colabora integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todos os documentos e acessos solicitados para a elucidação dos fatos investigados. Reforça, ainda, que não compactua com qualquer prática que fira os princípios da administração pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência). "A operação está em andamento e, neste momento, não cabe antecipar medidas administrativas, uma vez que o Ministério Público ainda se posicionará oficialmente a respeito do teor das investigações. A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, permanecendo à inteira disposição da Justiça para que a verdade prevaleça." O g1 também solicitou um posicionamento para as pessoas e empresa envolvidas, mas não recebeu uma resposta até a última atualização desta reportagem. Veja imagens da operação do MPSP em Ferraz de Vasconcelos Operação TAC Pelo menos R$ 24 milhões foram desviados dos cofres públicos de Ferraz de Vasconcelos, segundo a investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O esquema envolve servidores, políticos e empresários, e levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão na Prefeitura e na Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira (28). Mais de cem agentes participam da operação, que também resultou no afastamento de servidores suspeitos e no bloqueio de bens e valores ligados aos investigados e empresas envolvidas. Operação do MP em Ferraz de Vasconcelos conta com o apoio da Polícia Militar Maiara Barbosa/TV Diário A Operação TAC foi deflagrada pelo MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), com apoio da Polícia Militar. A investigação teve início a partir de dados compartilhados pela Operação Munditia, obtidos em aparelhos do ex-vereador Inha. De acordo com o Ministério Público, servidores, políticos e empresários teriam atuado juntos para firmar dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) na Prefeitura, em troca de propina. A suspensão de certidões de dívida ativa de uma empresa, referentes a infrações ambientais, e a desistência de ações judiciais pelo município teriam sido negociadas mediante pagamento ilícito. Nos acordos, a empresa assumiu obrigações ambientais, cujo cumprimento ainda será apurado, inclusive com atuação conjunta do GAEMA. O pagamento da propina teria ocorrido por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas, algumas de fachada, e transferências de valores. A dívida da empresa, negociada entre os investigados, superava R$ 24 milhões. Operação Munditia Em janeiro de 2025, ex-servidores da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos foram exonerados por envolvimento no esquema investigado pela Operação Munditia. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) o ex-vereador Flavio Batista de Souza, o "Inha", de Ferraz de Vasconcelos, por fraudes em licitações. Além de Inha, outras nove pessoas também foram denunciadas. Segundo o MPSP, a suspeita é que o grupo tenha fraudado licitações para favorecer uma empresa ligada à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Em abril do ano passado, Inha, além dos ex-vereadores Luiz Carlos Alves Dias, de Santa Isabel, e Ricardo Queixão, de Cubatão, foram presos na Operação Munditia. Em setembro de 2025, a Justiça aplicou diversas medidas cautelares ao ex-vereador. Inha era um dos acusados de frustrar e fraudar o Pregão Eletrônico nº 53/2023 da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos para obter vantagens financeiras. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), ele integraria uma organização criminosa estruturada por meio de pessoas jurídicas que simulavam concorrência em processos licitatórios. Inha e os outros denunciados foram condenados a obedecer as restrições impostas, que incluíam o comparecimento periódico em juízo, a proibição de manter contato com investigados, a proibição de frequentar empresas ligadas ao caso e a suspensão do exercício de função pública. Assista a mais notícias do Alto Tietê

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