cover
Tocando Agora:

Pitoco, cão de famoso poema de Nhô Bentico, vai ganhar estátua em praça de Itapetininga: 'Me cativou', diz escultor peruano

Artista peruano faz estátua inspirada em homenagem à obra de Nhô Bentico Poeta, radialista, cronista e também carpinteiro, Nhô Bentico, pseudônimo de Abí...

Pitoco, cão de famoso poema de Nhô Bentico, vai ganhar estátua em praça de Itapetininga: 'Me cativou', diz escultor peruano
Pitoco, cão de famoso poema de Nhô Bentico, vai ganhar estátua em praça de Itapetininga: 'Me cativou', diz escultor peruano (Foto: Reprodução)

Artista peruano faz estátua inspirada em homenagem à obra de Nhô Bentico Poeta, radialista, cronista e também carpinteiro, Nhô Bentico, pseudônimo de Abílio Victor, transformou o cotidiano do interior paulista em versos que atravessaram gerações. Um de seus poemas mais conhecidos, clássico da cultura caipira que narra a emocionante história de um menino e seu cão de estimação, será homenageado por um artista peruano. Confira abaixo um trecho do poema: “Pitoco era um cachorrinho. Que eu ganhei do meu padrinho. Numa noite de Natal. Era esperto, muito ativo. Tinha dois ‘zóio’ bem vivo. Saltando pra cá, pra lá. Bem cedo me levantava. Pitoco que me acordava. Coos latido, sem Pará. Me fazia tanta festa. Lambia na minha testa Queria inté me bejar", 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Nhô Bentico nasceu em 31 de agosto de 1899, em Itapetininga. Assim como nos versos de “Pitoco”, o artista tinha o hábito de utilizar a linguagem caipira em suas obras. O músico, compositor e pesquisador Bob Vieira relembra a trajetória do artista e destaca sua importância para a valorização da cultura do interior paulista. “Ele utilizava o dialeto caipira, assim proporcionando um retrato da língua falada de uma época em uma determinada região. Isso valorizou a identidade cultural da comunidade em que viveu”, aponta. Nhô Bentico, pseudônimo para Abílio Victor, foi escritor, radialista e cronista em Itapetininga Arquivo pessoal/John Valenz O trabalho de Nhô Bentico ultrapassou sua cidade natal e ele chegou a receber convites para trabalhar em grandes empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, mas sempre recusou, pela ligação que tinha com Itapetininga. Quando trabalhou como radialista, o artista declamava suas produções autorais. Esse trabalho chamou a atenção do público e fez com que ganhasse seu próprio programa na rádio. Entre os diversos trabalhos, Nhô escreveu dois livros e se destacou por produções como “Rosinha”, “Juão Paiaço”, “A purguinha”, “Tire a mão daí seu Zé” e “Carnavá do Sapo”. Nhô Bentico escreveu livros, poemas e músicas que retratam a cultura caipira Recanto Caipira/Divulgação Bob analisa que o artista buscava colocar a cultura tradicional itapetiningana em destaque, abordando o folclore e as manifestações artísticas populares, valorizando o linguajar, explorando temas e paisagens e criando, na imaginação do leitor, um retrato da cidade. “Pela sua grande importância, merece muito mais reconhecimento e divulgação de sua obra tão valiosa. Por exemplo, poderia haver maior envolvimento das escolas em realizar projetos que valorizem sua obra”. Nhô morreu em 7 de outubro de 1952, em Itapetininga. Em sua cidade natal, já recebeu homenagens em prédios públicos, eventos e na Academia Itapetiningana de Letras, onde há uma cadeira que leva seu nome. “Conhecer e valorizar artistas como ele nos proporciona um sentimento de orgulho. Assim, construímos nossa identidade cultural, valorizando nossos antepassados, despertando o sentido de pertencimento e cidadania”, analisa Bob. Músico, compositor e pesquisador da cultura caipira, Bob Vieira analisa importância de Nhô Bentico para a produção artística do interior de São Paulo Reprodução/Sesi Itapetininga Estátua em homenagem a Pitoco Entre as estrofes produzidas por Nhô Bentico, Bob cita “Pitoco” como uma de suas favoritas. Para ele, todas as obras são importantes, mas essa ocupa um lugar especial pela carga emocional da história. “Adoro declamar nas escolas em que faço minhas apresentações. A história de um cachorrinho que morreu tragicamente picado por uma cobra ao defender o dono. Esses versos habitam a memória de muita gente que ouviu declamar pelo pai, pela mãe, pela avó, pelo tio ou pela professora”, comenta. LEIA TAMBÉM: Mulher que faz malabarismo em semáforo ganha 'dia de beleza' de cabeleireiro em Itapetininga: 'Me sentindo enxergada' Tatuí realmente completará 200 anos? Livro mostra detalhes sobre 'época perdida' durante a formação da cidade Da curiosidade ao ofício: luthier autodidata produz violas e instrumentos em Alambari: 'É uma arte' O poema “Pitoco” também chamou a atenção do artista peruano John Valenz, de 48 anos. Há mais de 20 anos, ele se mudou para Itapetininga e passou a conhecer a história e as obras de Abílio Victor. Em forma de homenagem ao poeta, John decidiu construir uma estátua do cão Pitoco. “Eu conheci ele por um poeta uma vez em um programa e achei muito lindo. Daí, apareceu a Lei Aldir Blanc, e por isso também eu fiz a estátua. Quando eu pesquisei, não tinha muitas fotos ou imagens dele. Esse poema do cachorrinho me cativou e decidi fazer ele primeiro para a praça aqui da cidade”, relata John. Segundo John, a escultura será colocada na Praça Largo dos Amores, na Rua Doutor Júlio Prestes, região central da cidade. A previsão é de que a obra seja finalizada e exposta em junho. Largo dos Amores em Itapetininga (SP Reprodução/Prefeitura de Itapetininga O artista se dedica à construção da estátua há cerca de um ano. A obra possui estrutura de ferro, modelagem em argila e gesso, e será finalizada com revestimento em cimento. Todo o processo foi realizado em um espaço da Casa Kennedy, centro cultural de Itapetininga, onde John já desenvolvia trabalhos manuais. O artista contou que utilizou cerca de duas toneladas de argila na criação da escultura. “Não temos muitos artistas na qualidade de Nhô Bentico aqui em Itapetininga. São poucos, na verdade que se destacaram nacionalmente. Ele foi um artista completo em todos os ramos. Foi gerente de cinema, radialista e carpinteiro. Quando eu comecei a pesquisar, não achava muito material sobre ele”, observou John. Ao todo, John demorou mais de um ano para fazer a obra plástica do "Pitoco" Arquivo pessoal/John Valenz A ideia da escultura do cão surgiu do desejo do artista de criar uma obra com a qual as crianças pudessem interagir. Para isso, ele desenvolveu uma peça em escala próxima à altura do público infantil, com a pata levantada. “Então, isso vai aproximar a arte da criança e vai desenvolver um amor. Hoje em dia tem pouco disso. Tanto que há mais depredação das esculturas do que carinho. Eu queria mudar esse sintoma e tentar aflorar um pouco mais esse amor pela arte.” Artista peruano faz estátua inspirada em cão do poema "Pitoco" escrita por Nhô Bentico Arquivo pessoal/John Valenz *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Fale Conosco