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Sem desfile há quase uma década, escolas de samba de Rio Preto cobram incentivo público para voltar ao carnaval

Desfile de escolas de samba diverte foliões em Rio Preto "Quando eu não puder pisar mais na avenida Quando as minhas pernas não puderem aguentar Levar meu co...

Sem desfile há quase uma década, escolas de samba de Rio Preto cobram incentivo público para voltar ao carnaval
Sem desfile há quase uma década, escolas de samba de Rio Preto cobram incentivo público para voltar ao carnaval (Foto: Reprodução)

Desfile de escolas de samba diverte foliões em Rio Preto "Quando eu não puder pisar mais na avenida Quando as minhas pernas não puderem aguentar Levar meu corpo junto com meu samba O meu anel de bamba Entrego a quem mereça usar" “Não deixe o samba morrer”. O verso que virou manifesto cultural cantado por Alcione é também um apelo dos carnavalescos de São José do Rio Preto (SP) que lidam há quase uma década com a notícia de que os desfiles não vão mais ser realizados. Atração mais famosa do carnaval de rua na cidade até os anos 2000, o desfile das escolas de samba não acontece oficialmente desde 2018. Integrantes das agremiações apontam que o fim das apresentações ocorreu por falta de apoio financeiro da prefeitura, especialmente após mudanças na gestão do carnaval dentro da administração municipal. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Em nota, a Prefeitura de Rio Preto informou que em 2026 investiu R$ 6 milhões no CarnaVirou, além do montante destinado aos blocos carnavalescos, com o intuito de trazer receita e movimentar todos os setores da economia do município. De acordo com a administração, está acordada com as escolas de samba a retomada dos desfiles a partir do ano que vem. Destaques de carro alegórico em desfile da Império do Sol Arquivo pessoal / Vicente Roberto Serroni 🥁 As escolas afirmam estar prontas para voltar, caso recebam incentivo público. A retomada é encabeçada pelas agremiações Unidos da Boa Vista (última campeã), Império do Sol, Acadêmicos de Rio Preto e Imperatriz. Antes da paralisação, a avenida contava, também, com Tigre Dourado, Gaviões do Samba e Pérola Negra. “O último desfile foi em 2018. Logo depois veio a pandemia e, quando os eventos voltaram, já não tínhamos mais apoio do poder público”, relembra Vicente Roberto Serroni, jornalista e responsável pela escola Império do Sol. Desde então, as escolas apenas se apresentam em ocasiões esporádicas. Segundo ele, a mudança de pasta que comanda o carnaval, da Secretaria de Cultura para a Secretaria de Desenvolvimento e Turismo, dificultou o repasse de verbas. “Essa secretaria tem pouco orçamento. O secretário até tentou buscar apoio com empresários, mas não conseguiu”, disse o carnavalesco. Vicente Roberto Serroni (à esquerda), jornalista e responsável pela escola Império do Sol Reprodução/TV TEM A posição tomada pelo governo Edinho Araújo (MDB) se manteve na gestão Fabio Candido (PL). “Conversamos com o atual governo, fizemos três reuniões, mas a resposta foi a mesma: não tem dinheiro para os desfiles”, lamenta Vicente. Sem apoio da prefeitura, as escolas tentam mobilizar a iniciativa privada. Uma das agremiações, a Império, aprovou um projeto na Lei Rouanet no valor de R$ 998 mil para a volta dos desfiles, mas não conseguiu ainda a captação dos recursos. "Temos até o final do ano para definir isso, mas é muito difícil esse tipo de trabalho, as empresas locais e da região não demonstraram interesse", comenta Vicente. Mestre-sala e porta-bandeira em desfile da Império do Sol de 2016 Arquivo pessoal / Vicente Roberto Serroni A vida no samba-enredo Unidos da Boa Vista leva título de campeã no carnaval de Rio Preto Sem o tradicional brilho das fantasias e do som da bateria, mas ainda com o peito cheio de esperança, o diretor financeiro da Liga das Escolas de Samba e da escola Unidos da Boa Vista, Nelson Ghirotto Junior, de 69 anos, também lamenta a suspensão dos desfiles por falta de apoio financeiro. Para quem construiu a vida entre ensaios, barracões e sambas-enredo, a ausência de recursos é motivo de frustração das agremiações, de acordo com Nelson, uma vez que inviabiliza até mesmo as atividades básicas. “Sem apoio financeiro não tem como fazer ensaios. Quando recebemos verba para os desfiles ela é aplicada integralmente no desfile. Sentimos total frustração e abandono do poder público”, lamenta Nelson. A indignação aumenta, segundo ele, porque a legislação federal reconhece as escolas de samba como manifestações da cultura nacional e atribui ao poder público a responsabilidade de garantir as atividades. 🔍 Lei 14.577, de 04 de maio de 2023, estabelece que compete ao poder público garantir as atividades das escolas de samba e seus desfiles, por se tratar de cultura nacional. Leia mais. Nelson Ghirotto Junior, de 69 anos, também lamenta a suspensão dos desfiles por falta de apoio financeiro em Rio Preto (SP) Nelson Ghirotto Junior/Arquivo pessoal Sem verba? O fim dos desfiles parece favorecer a mudança de perfil do folião em Rio Preto, hoje adepto a grandes shows e aos 23 blocos de carnaval que se apresentam em diferentes pontos da cidade. Eles recebem apoio da prefeitura e de vereadores por meio de emendas. Diante disso, Serroni citou o investimento de R$ 6 milhões na realização do CarnaVirou e nos blocos carnavalescos e questionou: “se há verba para os blocos, por que não há para as escolas? As escolas têm o seu público, como os blocos têm o deles”, compara. Initial plugin text O representante da Império do Sol, escola pentacampeã do carnaval rio-pretense, destaca que os desfiles sempre tiveram grande público e majoritariamente formado por famílias. “Nunca houve incidentes de violência. As arquibancadas lotavam e já chegamos a reunir 45 mil pessoas em 1996”, finaliza Serroni. Reinvenção Ao mesmo tempo em que a planejam o retorno dos desfiles, as escolas têm se reinventado para sobreviver. Editais como a Lei Aldir Blanc, do Ministério da Cultura, são um caminho para que as agremiações se mantenham ativas e mobilizadas enquanto aguardam o momento de retornar à avenida. "A Império do Sol se tornou Ponto de Cultura e durante todo o ano tem projeto para oferecer oficinas voltadas para o universo carnavalesco, além de realizar um intercâmbio com a Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, trazendo profissionais daquela agremiação. E para não ficar sem atender a nossa comunidade, criamos o Bloco Ala Show Império do Sol, que participa do carnaval desde 2020", descreve Serroni. Oficina de percussão com o compositor da Mangueira, Márcio Nascimento, na Favela Marte, em Rio Preto Arquivo pessoal / Vicente Roberto Serroni Veja mais notícias da região em g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

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