cover
Tocando Agora:

Telefone ou videogame? Conheça o raro console fabricado durante o regime militar no interior de SP

Console raro é destaque em museu e foi fabricado em Votorantim há 40 anos 🎮 Com design rústico, caixa plástica, cabos espirais e joysticks com números e...

Telefone ou videogame? Conheça o raro console fabricado durante o regime militar no interior de SP
Telefone ou videogame? Conheça o raro console fabricado durante o regime militar no interior de SP (Foto: Reprodução)

Console raro é destaque em museu e foi fabricado em Votorantim há 40 anos 🎮 Com design rústico, caixa plástica, cabos espirais e joysticks com números e asteriscos, um aparelho raro fabricado em Votorantim, no interior de São Paulo, pode até ser confundido com um telefone, mas, na realidade, é um videogame. Lançado em 1983, durante a política da reserva de mercado no Brasil, o SpliceVision é um clone do ColecoVision e chegou ao mercado prometendo disputar espaço com o Atari nas casas dos gamers. Veja o modelo no vídeo acima. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Devido aos altos custos de produção e venda, além do hardware, que, na época, era considerado defasado, o console não teve sucesso comercial e foi descontinuado poucos anos após o lançamento, tornando-se uma verdadeira relíquia para colecionadores ao redor do mundo. Um exemplar doado por Carlos Paim, de Fortaleza (CE), ao Museu do Videogame Itinerante, esteve em exibição no Shopping Iguatemi Esplanada durante o mês de junho deste ano. O museu é reconhecido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), ligado ao Ministério da Cultura. SpliceVison é um videogame inventado em Votorantim (SP), na época da política da reserva de mercado no Brasil, no fim de 1983 Reprodução/YouTube/Games Que Pariu 🕹️ É um clone? O videogame foi criado em uma época em que o país vivia o regime militar e adotava a política da reserva de mercado. Esse contexto foi decisivo para o surgimento do console. Ao g1, Cleidson Lima, jornalista criador do Museu de Videogames Itinerante, explicou que essa política protecionista, vigente até o início dos anos 90, buscava proibir a importação de determinados produtos estrangeiros, tendo o setor de informática como principal alvo. Cleidson Lima, jornalista criador do Museu de Videogames Itinerante, falou sobre a política protecionista que causou a invenção do SpliceVision em Votoranti Cleidson Lima/Arquivo pessoal A proposta era fortalecer a indústria nacional, estimulando a geração de empregos e o desenvolvimento da tecnologia brasileira. Diante desse cenário, as empresas precisaram investir no que conseguiam produzir dentro do país. Foi nesse contexto que o Grupo Splice, de Votorantim, especializado em telecomunicações, se inspirou no ColecoVision, concorrente mais avançado do Atari, para criar o SpliceVision. "O Atari era um console muito mais prático e acessível para o público brasileiro. Tinha mais jogos disponíveis, diferente do Splice, que tinha cartuchos exclusivos e de alto custo", destaca Cleidson. Controles do ColecoVision e do SpliceVision Initial plugin text O SpliceVision possuía jogos traduzidos para o português, também inspirados em jogos internacionais como "Smurf: Rescue in Gargamel's Castle", lançado como "Duende", o clássico "Donkey Kong" lançado como "Monkey Dong", e até mesmo "Zaxxon", lançado pela Splice como "Jaxxon". LEIA TAMBÉM: Dia do gamer: professor e game designer do interior de SP cria jogo e revive anos 90 em console 'retrô' feito no Brasil Fã de 'Resident Evil 4', idoso comemora nova versão do jogo que marcou era dos videogames Após viralizar com rotina de jogos, 'vovô gamer', do interior de SP, ganha novo videogame: 'Só tenho a agradecer' Fã de 'Resident Evil', idoso viraliza em vídeo mostrando itens que conseguiu no jogo: 'Tô quente' Psicólogo destaca benefícios dos videogames para os idosos: 'Enfrenta zumbis e melhora a saúde' Videogame SpliceVision, lançado em Votorantim (SP), é um clone do ColecoVision, e prometia disputar espaço nas casas dos gamers com o Atari Reprodução ☎️ Peças recicladas e de telefonia Em entrevista ao documentário "1983 - O Ano dos Videogames no Brasil", produzido pela ZeroQuatroMídia, o falecido Kazuaki Ishizu, que foi gerente geral da Splice entre 1974 e 1984, afirmou que o produto foi feito com peças "recicladas" de telefonia. "Partir para o entretenimento é uma coisa diferente. Você tinha que ter investimento inicial muito grande. Depois, veja bem, se valer a pena esse investimento, para ver conforme o retorno que entra. Mas, contra a vontade, autorizaram a produção." "A estrutura física do Coleco era completamente diferente. Nós vimos que não adiantava gastar muito dinheiro e alguém pensou: 'Muda a caixa, para de fazer o projeto semelhante ao da Coleco e vamos achar alternativa'. Essa alternativa foi essa caixa aqui. Nós técnicos comprávamos no mercado, em Santa Ifigênia, para fazer quebra-galho de algum instrumento que a gente precisava", contou. Em entrevista a um documentário, o falecido Kazuaki Ishizu, que foi gerente geral da Splice, afirmou que o videogame foi feito com peças 'recicladas' de telefonia 1983 - O Ano dos Videogames no Brasil/ZeroQuatroMídia Além da aparência incomum, o projeto também tinha características técnicas bastante particulares. Por causa da exclusividade das peças, mesmo que um ColecoVision fosse trazido ao Brasil por algum turista, nenhuma delas seria compatível entre os consoles, tanto em hardware quanto em software. O SpliceVision foi lançado com anúncios em jornais e revistas como um console tecnológico e mais avançado que seus competidores. A propaganda destacava gráficos mais realistas e jogos traduzidos para o português, mas o videogame era muito caro e pouco versátil pela falta de compatibilidade, o que acabou causando a descontinuação do produto. Cleidson Lima comparou o Atari a um PlayStation 3 e disse que o SpliceVision prometia ser um PlayStation 5 para os jogadores, custando muito mais do que a versão "antiga". Convertido para os valores atuais, o Splice poderia custar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Console SpliceVision, fabricado em Votorantim (SP), era anunciado em revistas após o lançamento, em novembro de 1983 Reprodução/YouTube/Games Que Pariu 👾 Destaque em museu itinerante Criado por Cleidson Lima após uma discussão com a esposa, há 15 anos, o Museu do Videogame Itinerante nasceu da coleção particular do jornalista e, desde então, já passou por diversos estados brasileiros e até participou de exposições no exterior. "Tudo começou com uma DR. Eu sempre tive a coleção em casa, né? E chegou um momento que só faltava ter videogames no banheiro. Eles ficavam expostos em praticamente todas as paredes de casa, até que, um dia, a minha esposa falou para eu me livrar de tudo", disse. Cleidson Lima, jornalista criador do Museu de Videogames Itinerante que esteve em Votorantim (SP), com sua coleção inicial Cleidson Lima/Arquivo pessoal A partir da coleção, Cleidson começou a expandir o trabalho, conseguir parcerias e doações de mais videogames. Atualmente, o museu tem mais de 600 consoles e mais de 6 mil jogos. Entre os itens mais raros do acervo está o SpliceVision, que, segundo Cleidson, pode ser considerado um dos videogames mais raros do mundo. SpliceVision é um videogame lançado em 1983, fabricado em uma empresa de Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 O g1 esteve na exposição feita no Shopping Iguatemi Esplanada, entre os dias 6 e 28 de junho, que reuniu um público diversificado, com fãs de videogames de praticamente todas as idades. David Rayel, coordenador técnico da exposição, explicou que a raridade do SpliceVision o torna especial para os organizadores, que sempre buscam destacá-lo entre os demais itens. Na exposição do shopping, ele era o primeiro videogame visível à esquerda da entrada da feira. "A gente tem um carinho especial por isso (pela raridade). Videogame tem nostalgia, videogame vem da cultura brasileira, mundial. Então, a gente consegue juntar um público muito legal (no evento), muito divertido, pai, mãe, um filho. (...) O que a gente mais gosta é justamente essa dinâmica, esse pai que está relembrando o videogame antigo, a criança que está conhecendo", pontuou. David Rayel, coordenador técnico do Museu do Videogame Itinerante, durante exposição em Votorantim (SP) Beatriz Pereira/g1 Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Fale Conosco